21 novembro, 2013

O MUNDO INVADIDO: CONSEQUÊNCIAS ATUAIS DAS INVASÕES BIOLÓGICAS (RESUMO)

Mexilhão dourado e Tilápia
As invasões de animais e de plantas são apontadas, hoje, como a segunda maior causa da perda da biodiversidade nos ecossistemas naturais do mundo, superada apenas pela fragmentação de habitats.

As invasões biológicas têm causas diversas, muitas espécies são levadas a outras áreas por serem empregadas em atividades econômicas (agricultura, pecuária e piscicultura), através do tráfico ilegal de animais de estimação ou plantas ornamentais, transportadas acidentalmente na água de lastro de navios ou através de turistas, pelas estradas, em aviões.

No Brasil, algumas das principais culturas agrícolas têm origem em outras regiões do mundo, como o trigo (proveniente da Ásia), o arroz (das Filipinas), a cana-de-açúcar (da Nova Guiné) e a soja (da China). 

Arroz e trigo.
Algumas espécies de fauna, também foram introduzidas no Brasil, como a Tilápia (peixe Africano), Mexilhão-dourado (da China), Caramujo-gigante-africano (nativo do leste do nordeste da África).

O processo de invasão biológica ocorre em três etapas: estabelecimento (período crítico e demorado, onde a espécie invasora se adapta aos poucos às novas condições ambientais), expansão (a espécie começa a expandir a sua distribuição geográfica para habitats favoráveis próximos) e saturação (a espécie invasora chega a um limite geográfico ou não há mais habitat favorável).

As espécies invasoras estabelecidas interagem de diversas formas com as nativas, podem ser predadoras (como os peixes carnívoros), competem por espaço e/ou recursos (como algumas gramíneas), competem pela água e nutrientes do solo, no banco de sementes, podem gerar epidemias ou pestes na agricultura, dentre outros prejuízos. Infelizmente, quando estas consequências se tornam evidentes, os danos, na maioria dos casos, já são irreversíveis.
 
Caramujo gigante africano.
No Brasil, já foram identificadas cerca de 126 espécies invasoras, vindas de outros países ou outras regiões internas. A maioria dos vegetais invasores (90%) e parte dos animais (23%) foram trazidas para o país intencionalmente.

Algumas epidemias brasileiras são originárias de outros continentes, como a dengue (doença asiática), cujo vetor no país é o mosquito Aedes aegypti (invasor de origem africana).

Este artigo objetiva uma reflexão a cerca da degradação ambiental decorrente das invasões biológicas, pois este é um problema considerado importante agente de mudança global de causas humanas, sendo equiparado às mudanças climáticas e à ocupação do solo.

Algumas espécies nativas também se tornaram problemas, no próprio Brasil, ao serem introduzidas em outros habitats como o Mico de tufos.


A falta de políticas oficiais de prevenção e de estudos científicos em longo prazo contribui para o agravamento desse caso. Medidas de prevenção às espécies invasoras precisam ser aplicadas, visando à preservação da biodiversidade nativa.

Artigo original: DELCIELLOS, Ana Cláudia; LORETTO, D. O mundo invadido: consequências atuais das invasões biológicas. Ciência Hoje, Rio de Janeiro: vol. 40. p. 24 a 29, 2007.

Resumo elaborado por: Janete Maria Scopel 
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática/UCS.

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