23 Janeiro, 2009

COMPORTAMENTO HUMANO E LINGUAGEM SEGUNDO A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA DE PIAGET.


Segundo Piaget o comportamento adquirido constitui a manifestação das possibilidades biológicas, em que o conteúdo de cada esquema de ação depende em parte do meio e dos objetos ou acontecimentos a que se aplica, mas isto não significa que sua forma ou funcionamento sejam independentes de fatores internos.

Para Piaget, as ações do sujeito sobre os objetos não derivam dos objetos em si, mas da adaptação dos esquemas cognitivos do sujeito a estes objetos. Neste sentido, os esquemas cognitivos constituem um aspecto particular dos sistemas reguladores, por meio do qual o organismo no seu conjunto conserva sua autonomia e resiste às degradações entrópicas.

16 Janeiro, 2009

5 – heranças coloniais.


Um dos eixos de argumentação da hipótese postulante da presença de sutis traços éticos coloniais remanescentes às conquistas humanísticas modernas é a análise histórica para contextualizar os impulsos implícitos às instituições do Estado Brasileiro, situados abaixo da linha de visibilidade ética e submersos no inconsciente coletivo como arquétipos não explicados e não reconhecidos. Além disso, o lançar mão da historiografia permite o flagrante da gênese de figuras éticas subsumidas, constructos simultâneos à invenção mitológica da história que merecia ser contada.

Alguns sentimentos sobreviventes hoje no cerne da sociedade brasileira podem ser rastreados nas origens do processo da colonização, como “[...] herança de uma descolonização mal-sucedida, ou, o que é pior, uma descolonização outorgada[...] (GUIMARÃES, 2006, p.6). Nem a negação da sua história faz do brasileiro um povo sem história, e nem a invenção de uma o torna menos infenso a repetição daquela desprezada.
Ao chegar aqui, os europeus se depararam com terra e povo, sem Sociedade Civil e sem Estado, porque a terra não tinha nome e nem dono e os seus habitantes viviam dispersos em pequenas comunidades, cuja organização social atingia a máxima amplitude da reunião de famílias, em que a percepção espacial chegava até os limites da tribo. Por serem povos ágrafos, a história oficial do Brasil começou com a chegada dos exploradores portugueses, portanto contada sob a ótica épica dos invasores europeus, que descreveram uma situação dos indígenas como povos da idade da pedra, em permanente estado de guerra de todos contra todos, semelhante ao estado de natureza imaginado por Hobbes:
Com isto se torna manifesto que, o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. (HOBBES, 1983, p.46)

10 Janeiro, 2009

O comportamento adquirido e a mutabilidade da natureza humana.


Em relação a percepção humana, nossa biologia nos impõe limitações tais como a maneira previsível e restrita do olho explorar um campo visual. Somos cegos para a luz ultravioleta, facilmente percebida por certos insetos. Nossos ouvidos são completamente surdos para as freqüências ultra-sônicas utilizadas por morcegos e golfinhos. Nosso sentido de gosto é medíocre em relação à abelha.

Nosso olfato é muito mais pobre do que o de cachorros e outros animais domésticos. Não temos nenhum conhecimento sobre a orientação em campos elétricos ou magnéticos ou até a luz polarizada, que são estímulos percebidos claramente por diversos animais. Todavia, por mais que o ser humano tenha estruturas limitadas em nível fisiológico, obteve um desenvolvimento cultural extremamente complexo, que afeta não apenas o intercâmbio de energia como de matéria e conhecimento.

01 Janeiro, 2009

4- A Síntese dos dois Príncipes.


A síntese do povo brasileiro: um povo sem história, mas um “[...] país do futuro; segundo aquela idéia de Stefan Zweig. E porque ‘no Brasil é mais fácil fazer uma história do futuro do que do passado’, nos falava Padre Antônio Vieira”. (GUIMARÃES, 2006, p.5). No entanto, o culto à história do futuro não impede a escravidão ao passado, não como escolha soberana e consciente, mas por negação e esquecimento da história, que enseja a repetição de velhos vícios.

Além de inventar o futuro, o Brasil também inventou um passado conveniente, por intermédio da pena de Francisco Adolfo de Varnhagen:
O passado é como uma sombra constante que ronda cada nova época. Cada presente seleciona um passado que deseja e lhe interessa conhecer. A ‘apropriação’ do passado segundo os interesses das classes detentoras do poder é algo muitíssimo importante, pois é sobre ele que se erguem presente e futuro. Assim sendo, deturpações, omissões, manipulações e falsificações não faltam para que se alcance o objetivo de forjar a ‘verdade’ dos dominadores como sendo verdade geral. No caso brasileiro, o projeto de nação recém-"independente" necessitava de um passado do qual pudesse se orgulhar, um passado de grandes feitos executados por homens nobres. Era preciso que o novo país se auto-identificasse geográfica e historicamente, sua natureza, suas riquezas, seus limites e fronteiras e também os fatos memoráveis de seus melhores filhos, os luso-brasileiros. O esquecimento não podia apagar as glórias vividas, elas deveriam constituir o quadro de nossa memória. Dessa forma, construiu-se a narrativa histórica conforme os interesses da monarquia, a história dos vencedores. E não faltaram os documentos que a sustentasse... (ALMEIDA, 2007, p.1)

Related Posts with Thumbnails