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TECIDO MUSCULAR ESTRIADO ESQUELÉTICO - TÓPICOS

4- Body Building - Rosemary Jennings

Existem três tipos de tecidos musculares: o tecido muscular estriado esquelético, o tecido muscular estriado cardíaco e o tecido muscular liso. Todos eles são bastante acidófilos, corando-se de vermelho com a técnica da Hematoxilina-Eosina. Ou seja, as proteínas citoplasmáticas das células musculares se combinam com a Eosina, que é ácida e colore com tons vermelhos ou rosa (1).

Sua origem embriológica é mesodérmica.

esquema de embrião em corte

O tecido muscular está intimamente ligado ao tecido nervoso, pois os impulsos nervosos determinam a sua contração:
o músculo estriado esquelético apresenta contrações voluntárias, enquanto o liso e cardíaco apresentam contrações involuntárias.

O tecido muscular estriado esquelético (2) é constituído por fibras musculares formadas por células alongadas (fibrocélulas estriadas), constituídas por miofibrilas (ou fibrilas) de proteína, as quais são as responsáveis pelas contrações musculares.

Esquema de miofibrila

Tais células caracterizam-se por serem bastante longas e polinucleadas, com núcleos localizados sob o sarcolema (membrana plasmática das fibrocélulas musculares). Esse tecido é o principal constituinte dos músculos esqueléticos, que, além dos movimentos formam uma “capa protetora” aos órgãos internos abdominais e das grandes artérias que percorrem braços e pernas.

Os músculos possuem ainda “envoltórios” de tecido conjuntivo: cada fibrocélula está envolta pelo ENDOMÍSIO, grupos dessas células são unidos uns aos outros pelo PERIMÍSIO todo o conjunto, ou seja o músculo, está envolvido pelo EPIMÍSIO, através do qual são ligadas aos demais músculos, ossos, ligamentos e outros órgãos executores de movimento, transmitindo a força produzida pela sua contração.

Sua contração depende de energia e requer muita produção de ATP, como consequência há “perda” de calor que serve para manter a temperatura corporal acima da ambiental. Este músculo está presente na língua, permitindo a articulação da fala e auxiliando a deglutição, e no diafragma, possibilitando o controle voluntário da respiração.

Veja nas lâminas histológicas abaixo que os feixes de fibrocélulas podem aparecer cortados transversalmente ou longitudinalmente.
músculo esquelético

Nos cortes longitudinais observam-se faixas alternadas transversais, claras e escuras – as estrias. Essa estriação resulta do arranjo regular de microfilamentos formados pelas proteínas actina e miosina, responsáveis pela contração muscular. Cada célula muscular estriada possui inúmeros núcleos e pode atingir comprimentos que vão de 1mm a 60 cm.

Muscúlos estriado esquelético HE

As variações no tamanho das fibras musculares dependem da idade, sexo, nutrição e atividade física. Os exercícios físicos estimulam o aumento das miofibrilas, estimulando a síntese de proteína contrátil e aumentando o tamanho do músculo num processo denominado HIPERTROFIA (como na primeira imagem que mostra a fisiculturista Rosemary Jennings). O crescimento normal do músculo acontece através da HIPERPLASIA, que consiste no aumento do número de células.

No músculo estriado esquelético, a hiperplasia se inicia no embrião e ocorre até o estágio adulto, quando o tamanho corporal máximo (ossos e músculos) é atingido.

REGENERAÇÃO MUSCULAR (3): a capacidade de regeneração do tecido muscular estriado esquelético é muito baixa e irregular. Depende da proliferação de células satélites, que se fundem e originam novas fibras. Embora esse mecanismo de regeneração opere bem em pequenos animais, como camundongos, ele é menos eficiente em humanos, onde, em geral, a resposta regenerativa é incapaz de acompanhar os passos do dano e as células musculares são substituídas por tecido conjuntivo.

A regeneração depende de fatores como tipo de lesão, corte ou amassamento e estado metabólico do músculo. Técnicas terapêuticas, fundamentadas por pesquisas sobre a proliferação de células satélites, podem estimular e aperfeiçoar esta regeneração em humanos.

NECESSIDADES ENERGÉTICAS: a contração muscular demanda muita energia, obtida, a princípio, do ATP ou da fosfocreatina disponíveis na célula muscular. A reposição dos níveis destes dois compostos de alta energia se dá pela catabolização da glicose, do glicogênio (armazenado no retículo sarcoplasmático) ou dos ácidos graxos que são transformados e participam do ciclo do ácido cítrico e da fosforilação oxidativa nas mitocôndrias. Por isso os tecidos musculares são altamente irrigados.

Fotografia eletrônica de músculo estriado esquelético

Porém, quando o músculo exerce atividade intensa, pode haver insuficiência de oxigênio, neste caso a célula estriada esquelética recorre à glicólise, que produz ATP de forma anaeróbica, pela fermentação a ácido lático. O acúmulo de ácido lático pode causar dores musculares e câimbras.

TIPOS DE FIBRAS MUSCULARES ESQUELÉTICAS: de acordo com sua estrutura as fibras musculares podem ser de contração lenta (Tipo I) ou rápida (Tipo II).

As fibras do Tipo I possuem muita mioglobina e sua cor é vermelho-escura. Estão adaptadas a esforços continuados e retiram sua energia de ácidos graxos.

As fibras do Tipo II contem menos mioglobina e sua cor é vermelho-clara. Elas estão adaptadas às contrações rápidas e descontínuas e dependem mais da glicólise. Os músculos estriados esqueléticos humanos apresentam diferentes proporções desses dois tipos de fibras, dependendo de sua localização e funções (2).

Por Gladis Franck da Cunha

Referências:
(1)Mais sobre técnicas de coloração veja em ICB.UFMG
(2) Para saber mais consulte: JUNQUEIRA, L.C.U. ; CARNEIRO J. Histologia Básica. 10ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004.
(3) Uma revisão sobre regeneração do tecido estriado esquelético pode ser obtida em: BERNINI, A.M. ; MELLO, E. V. S. L. Regeneração Muscular e o papel das Células Satélites. Arq. Ciênc. Saúde Unipar, 4(3): ste/dez, 2000, disponível em http://revistas.unipar.br/saude/article/viewFile/1038/902, acesso 17/out/2009.

Fontes das imagens:
1- Rosemary Jennings – BLOGPAEDIA
2- Mesoderme – MultiMania
3- Lâminas de tecido muscular: HistoWeb
4- Miofibrila: Cartage
5- Mitocôndrias em fibrocélulas: Diabetes Journal

1 comentários:

dama.rana disse...

Muito bom seu estudo sobre os musculos, me ajudou bastante a fazer meu trabalho!
Parabens! \o
Dama.Rana

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