RETOMANDO O RUMO!
Nossa classificação ecológica na cadeia alimentar é a de consumidores, uma vez que não realizamos a fotossíntese. Porém, entre os consumidores não somos classificados facilmente, uma vez que não nos encaixamos exclusivamente numa categoria, por sermos onívoros. O onivorismo pode ser interpretado como um poder, mas, paradoxalmente, ele pode se constituir numa fragilidade.
Ser onívoro significa ter a capacidade para utilizar uma dieta vegetariana ou carnívora, ampliando as possibilidades de sobrevivência. Sob esta perspectiva, o onivorismo pode ser interpretado como uma vantagem, mas, por outro lado, as espécies onívoras não conseguem explorar de um único tipo de alimento todo seu potencial e acabam necessitando manter uma dieta diversificada para suprir todas as suas necessidades.
Nós somos onívoros de modo que nosso tubo digestivo não é adequado nem para uma dieta exclusivamente vegetariana, muito menos carnívora. O personagem Monk de uma série da TV americana costuma se referir à sua alta capacidade de perceber detalhes como um Dom e uma Maldição. Podemos aplicar esse conceito à nossa condição onívora, ou seja, ela é um dom e também uma maldição.
Dessa forma, uma Dieta Ecológica deve se pautar pela diversificação e não pela simplificação. Há anos já trabalhava com a tese de que necessitamos manter uma alimentação nutritivamente rica em termos de vitaminas, proteínas e fibras e um pouco mais pobre em termos de açúcares e gorduras, não nos preocupando demais com a quantidade de calorias ingeridas diariamente.
Essa tese propõe que ao nutrirmos nosso corpo ele naturalmente entra numa condição de equilíbrio, capaz de eliminar a fome fisiológica e nos levar a consumir as calorias necessárias às nossas atividades diárias. E ela de fato funcionou muito bem quando eu passei dos 80 aos 54 quilos, entre os dezenove e os vinte e três anos de idade e depois disso mantive esse peso até os trinta anos.
Aos trinta anos voltei a morar na minha cidade natal na serra gaúcha, onde a oferta de alimentos integrais era muito pequena entre os anos de 1990 a 2000. Com a chegada do milênio este quadro foi mudando e melhorando. Mas, no início dos anos noventa, comecei a aumentar de peso ao aumentar o consumo de laticínios, especialmente o leite do tipo A. Saí dos confortáveis 54 quilos para os 63, então, a partir de 1999 resolvi tomar medidas sérias para recuperar a condição de normalidades.
Tais medidas incluíram: reduzir praticamente a zero o consumo dos lácteos e doces e buscar uma alimentação mais nutritiva e menos calórica. Nesse sentido, comecei a experimentar e consumir suplementos alimentares em substituição a uma das refeições diárias. Tais suplementos me pareceram uma ótima opção, pois eles são altamente enriquecidos em proteínas e vitaminas e havia uma marca que passei a usar por não utilizar adoçante artificial e sim a frutose. Além disso, seu preparo é extremamente fácil, bastando misturar o conteúdo do pacote a um pouco de água e pronto! Com tais medidas consegui reduzir o peso para uma média entre 58 e 59 quilos, que para minha altura estão dentro do IMC (índice de massa corporal) NORMAL.
Parecia que eu havia retomado o rumo da dieta ecológica, pois me sentia saudável e meu peso ficara estável, embora eu sentisse “saudades” da marca de 54 quilos.
Todavia, após eu completar cerca de três anos de uso desse tipo de suplemento, comecei a aumentar de peso, mesmo não comendo regularmente doces e lácteos.
Cada vez que eu subia na balança os números eram maiores até que atingiram a marca dos 70 quilos. Foi nesse ponto que acordei para a possível causa: o empobrecimento da dieta pelo consumo de um mesmo alimento por muito tempo, ou seja, a maldição do onivorismo!
Eu relacionei o fato a uma palestra que ouvi sobre a utilização de vegetais na alimentação, onde o palestrante ressaltou que lera um artigo intitulado “Alface, um inimigo silencioso”, o qual alertava para o uso continuado de um mesmo tipo de alimento, independente da utilização de outros alimentos. Ou seja, de certa forma eu me intoxiquei pelo uso continuado de um determinado produto e para piorar entrei no climatério que é um período caracterizado por alterações hormonais que levam ao aumento de peso.
Para retomar o rumo, precisei abandonar esse produto e incrementar minha dieta com legumes e frutas. Essa medida freou o avanço do ganho de peso, se constituindo na primeira etapa da retomada do equilíbrio. Após permanecer mais de seis meses sem aumentar o peso iniciei uma etapa de redução da ingestão calórica e aumento da atividade física, com o acompanhamento de uma endocrinologista “severa”. Sem utilizar adoçantes ou moderadores de apetite estou fazendo uma dieta controlada, mas bastante diversificada. O fato de estar utilizando alimentos integrais me ajuda a não sentir fome e apenas controlo a vontade de repetir um ou mais pratos deliciosos ou consumir alguns tipos de alimentos como doces, mesmo que ocasionalmente.
Ao que tudo indica estou retomando o rumo, pois voltei a perder peso, de forma muito lenta. Como lição, aprendi que estes “sheiks” ou “sopas” para substituir uma refeição podem servir para pessoas que necessitem perder pouco peso em curto espaço de tempo, mas são muito prejudiciais se usados por muito tempo.
Desse modo o passo nove é: mantenha uma dieta diversificada e não utilize nenhum tipo de alimento ou suplemento de forma continuada.
Por Gladis Franck da Cunha