26 Maio, 2008

ADAPTAÇÃO VITAL, RITMOS, HOMEOSTASE E DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Toda mudança estrutural de um ser vivo está limitada à manutenção da sua viabilidade. Essas mudanças estruturais são contínuas e variadas, em decorrência da necessidade do constante funcionamento ou pulsar da vida.

cronobiologia
O objetivo da homeostase é preservar os sistemas biológicos, mantendo um estado de equilíbrio constante, no qual as variações ocorrem dentro de determinados limites, na sua relação com o ambiente; nas relações internas entre os vários sistemas que os compõem; e entre os componentes destes.

Observa-se que a atividade gênica, necessária aos processos homeostáticos, responde às informações provenientes da interação entre organismo e meio. Assim, a regulação da atividade dos genes não se restringe apenas aos processos de desenvolvimento dos organismos, já que grande parte da informação genética é usada para a sua manutenção, ou seja, para a sua homeostase.

Por exemplo, em mamíferos, o desenvolvimento das glândulas mamárias pode ser dividido em quatro estágios: embrionário, adolescência, gravidez e lactação. Os produtos da glândula mamária - caseína e outras proteínas lácteas - são produzidas somente no último estágio. Ou seja, através desse exemplo descobriu-se que certos genes estruturais só são ativados em determinadas circunstâncias, permanecendo “calados” sempre que algum contexto específico não estiver ocorrendo. 


25 Maio, 2008

Impressões sobre Colônia na Alemanha!

Cologne Cathedral
Entre 16 de janeiro e 15 de fevereiro pude conviver com o povo alemão. Viajamos, eu e meu marido, por algumas cidades, mas estivemos por mais tempo em Colônia, pois meu irmão está morando lá desde 2002.

Colônia é a mais carnavalesca das cidades alemãs, ela possui dois carnavais: um fixo que ocorre no dia 11 de novembro e inicia às 11 horas da manhã (11/11 às 11) e o outro móvel que acontece nas mesmas datas do carnaval brasileiro. Porém, diferentemente daqui, a população começa a usar fantasias uns quinze dias antes das festas começarem.

As pessoas vão trabalhar fantasiadas e sérias como normalmente estão e somente as vi sorridentes depois de alcoolizadas, umas mais outras menos, já no período das festas. Além das pessoas, as ruas, lojas e as janelas das casas se fantasiam também, contribuindo para o clima carnavalesco, que vai crescendo até desembocar nas festas.

Estas festas ocorrem em praças, centros comerciais e clubes, começando de dia e prosseguindo até a noite ou a madrugada, dependendo do local ou da resistência dos foliões. Numa festa que aconteceu numa tenda erguida junto ao parque da cidade, vimos que havia troca de turnos entre os foliões. A festa havia começado às 11 horas da manhã e quando passamos pelo local por volta da 19 horas havia muita gente chegando e indo embora. Todo mundo fantasiado e bebendo. As músicas durante o dia eram as mesmas das “bandinhas alemãs” que se ouve no Brasil, mas já mais para noite era “rock and roll” pesado.

Esse carnaval difere do nosso porque quase todo mundo participa e nas festas que ocorrem durante o dia se observam famílias inteiras, pais, crianças, avós, e adolescentes. Outra diferença marcante é que apesar da quantidade de bebidas que ingerem não se observam brigas ou cenas de violência. Pelo contrário, eles ficam muito bem-humorados e mais comunicativos.

Terminado o carnaval, as fantasias somem e os tons cinza, marrom e preto predominam nas roupas. Também a seriedade dos rostos e aquele jeito de “cada um na sua” voltam a dominar. Lá as pessoas não nos fazem mal, mas também não costumam se esforçar para fazer o bem e não é incomum ouvi-las dizer: Esse problema é seu e não meu! Nessas horas a gente sente falta do Brasil, onde as pessoas são capazes de andar uma quadra para nos mostrar uma referência e a direção que devemos seguir quando pedimos uma informação.

Outra coisa que estranhamos foi a “mecanização” dos serviços. Todas as passagens dos trens urbanos são vendidas por máquinas que exigem moedas, porém o transporte é rápido, seguro e confortável e está disponível para qualquer ponto da cidade. Nos banheiros, também é preciso utilizar moedas para passar pelas catracas e obtê-las é um problema nosso e não deles!

As placas, rótulos e cardápios são todos escritos apenas em alemão e entendê-las é um problema nosso e não deles. Também é muito difícil encontrarmos pessoas uniformizadas nas ruas tais como carteiros e policiais ou outros para quem solicitar auxilio, mas, quase todo mundo entende inglês e quando solicitávamos informações eles tentavam responder da melhor forma.

Por outro lado, essa cidade oferece oportunidades culturais fantásticas como a Catedral Gótica no centro da cidade, vários museus como o Romano-Germânico, o Ludowig e o da Kathe Kollwitz. O Parque da cidade é amplo e espetacular tem dois lagos com várias espécies de aves aquáticas, uma parte selvagem, outra com uma criação de ovelhas. O zoológico e o aquário podem ser visitados com o meso ticket de treze euros e são fantásticos. A flora é belíssima e com entrada franca, nela também encontramos banheiros gratuitos e limpos.

Algumas coisas observadas em Colônia valem para as demais cidades que visitamos, assim, todas as igrejas em que entramos possuíam, no mínimo, um órgão. As exigências ecológicas sobre os veículos automotores permitem que as cidades não tenham o ar carregado de fumaça de escapamento nem o ruído intenso de motores, apesar de haver muito movimento o tempo todo.

Colônia é uma cidade muito limpa e há muita sensação de segurança nas ruas a qualquer hora do dia e da noite. Enfim, considerando os prós e os contras, ela é muito interessante para se conhecer e uma das melhores cidades européias para se morar. Porém, ficamos muito felizes em voltar para casa, pois logo que chegamos ao Brasil nos reencantamos com a expressão de leveza e bom humor no rosto das pessoas, a solidariedade, o sabor das frutas e verduras e uma água mais gostosa de se beber (embora esse item não seja igual em todos os lugares por aqui!).

Palavras-chave: Colônia, Alemanha, viagem, carnaval europeu.

Autora: Gladis Franck da Cunha

12 Maio, 2008

Genes, interação, adaptação vital e evolução!

Toda a evolução é o resultado de um processo de adaptação e envolve a interação dos organismos com o meio ao longo do tempo. Nesse contexto, a ontogenia dos seres vivos dotados de reprodução sexual e a filogenia das diferentes linhagens reprodutivas se entrelaçam numa gigantesca e variada rede histórica.
Shiva


O desenvolvimento do genótipo, do ponto de vista filogenético, reflete essa história de interações, que resulta numa comunicação entre genoma e meio para formação do fenótipo, que é semelhante ao comportamento de diferentes instrumentos de uma orquestra, estabelecendo diálogos complementares para construção de uma peça musical. Exemplos desse diálogo são citados por Gilbert [1], quando descreve casos de controle ambiental sobre a forma e as funções das larvas de diferentes espécies de invertebrados.

Um caso interessante descrito por Gilbert é o das ostras da baía de Chesapeak, em Baltimore (EUA). Nessa baía, as ostras haviam sido coletadas por décadas, quando, em 1980, começaram a desaparecer. O embriologista William Brooks da Universidade de Johns Hopkins descobriu que a causa do desaparecimento das ostras era a retirada das conchas do fundo da baía, pois era necessário um substrato duro para que as larvas sofressem metamorfose, assim, ao recolocarem as conchas no fundo da baía, as ostras voltaram a produzir descendência [2].

05 Maio, 2008

Retomando o Rumo!

RETOMANDO O RUMO!

Nossa classificação ecológica na cadeia alimentar é a de consumidores, uma vez que não realizamos a fotossíntese. Porém, entre os consumidores não somos classificados facilmente, uma vez que não nos encaixamos exclusivamente numa categoria, por sermos onívoros. O onivorismo pode ser interpretado como um poder, mas, paradoxalmente, ele pode se constituir numa fragilidade.

Ser onívoro significa ter a capacidade para utilizar uma dieta vegetariana ou carnívora, ampliando as possibilidades de sobrevivência. Sob esta perspectiva, o onivorismo pode ser interpretado como uma vantagem, mas, por outro lado, as espécies onívoras não conseguem explorar de um único tipo de alimento todo seu potencial e acabam necessitando manter uma dieta diversificada para suprir todas as suas necessidades.

Nós somos onívoros de modo que nosso tubo digestivo não é adequado nem para uma dieta exclusivamente vegetariana, muito menos carnívora. O personagem Monk de uma série da TV americana costuma se referir à sua alta capacidade de perceber detalhes como um Dom e uma Maldição. Podemos aplicar esse conceito à nossa condição onívora, ou seja, ela é um dom e também uma maldição.

Dessa forma, uma Dieta Ecológica deve se pautar pela diversificação e não pela simplificação. Há anos já trabalhava com a tese de que necessitamos manter uma alimentação nutritivamente rica em termos de vitaminas, proteínas e fibras e um pouco mais pobre em termos de açúcares e gorduras, não nos preocupando demais com a quantidade de calorias ingeridas diariamente.

Essa tese propõe que ao nutrirmos nosso corpo ele naturalmente entra numa condição de equilíbrio, capaz de eliminar a fome fisiológica e nos levar a consumir as calorias necessárias às nossas atividades diárias. E ela de fato funcionou muito bem quando eu passei dos 80 aos 54 quilos, entre os dezenove e os vinte e três anos de idade e depois disso mantive esse peso até os trinta anos.

Aos trinta anos voltei a morar na minha cidade natal na serra gaúcha, onde a oferta de alimentos integrais era muito pequena entre os anos de 1990 a 2000. Com a chegada do milênio este quadro foi mudando e melhorando. Mas, no início dos anos noventa, comecei a aumentar de peso ao aumentar o consumo de laticínios, especialmente o leite do tipo A. Saí dos confortáveis 54 quilos para os 63, então, a partir de 1999 resolvi tomar medidas sérias para recuperar a condição de normalidades.

Tais medidas incluíram: reduzir praticamente a zero o consumo dos lácteos e doces e buscar uma alimentação mais nutritiva e menos calórica. Nesse sentido, comecei a experimentar e consumir suplementos alimentares em substituição a uma das refeições diárias. Tais suplementos me pareceram uma ótima opção, pois eles são altamente enriquecidos em proteínas e vitaminas e havia uma marca que passei a usar por não utilizar adoçante artificial e sim a frutose. Além disso, seu preparo é extremamente fácil, bastando misturar o conteúdo do pacote a um pouco de água e pronto! Com tais medidas consegui reduzir o peso para uma média entre 58 e 59 quilos, que para minha altura estão dentro do IMC (índice de massa corporal) NORMAL.

Parecia que eu havia retomado o rumo da dieta ecológica, pois me sentia saudável e meu peso ficara estável, embora eu sentisse “saudades” da marca de 54 quilos.

Todavia, após eu completar cerca de três anos de uso desse tipo de suplemento, comecei a aumentar de peso, mesmo não comendo regularmente doces e lácteos.
Cada vez que eu subia na balança os números eram maiores até que atingiram a marca dos 70 quilos. Foi nesse ponto que acordei para a possível causa: o empobrecimento da dieta pelo consumo de um mesmo alimento por muito tempo, ou seja, a maldição do onivorismo!

Eu relacionei o fato a uma palestra que ouvi sobre a utilização de vegetais na alimentação, onde o palestrante ressaltou que lera um artigo intitulado “Alface, um inimigo silencioso”, o qual alertava para o uso continuado de um mesmo tipo de alimento, independente da utilização de outros alimentos. Ou seja, de certa forma eu me intoxiquei pelo uso continuado de um determinado produto e para piorar entrei no climatério que é um período caracterizado por alterações hormonais que levam ao aumento de peso.

Para retomar o rumo, precisei abandonar esse produto e incrementar minha dieta com legumes e frutas. Essa medida freou o avanço do ganho de peso, se constituindo na primeira etapa da retomada do equilíbrio. Após permanecer mais de seis meses sem aumentar o peso iniciei uma etapa de redução da ingestão calórica e aumento da atividade física, com o acompanhamento de uma endocrinologista “severa”. Sem utilizar adoçantes ou moderadores de apetite estou fazendo uma dieta controlada, mas bastante diversificada. O fato de estar utilizando alimentos integrais me ajuda a não sentir fome e apenas controlo a vontade de repetir um ou mais pratos deliciosos ou consumir alguns tipos de alimentos como doces, mesmo que ocasionalmente.

Ao que tudo indica estou retomando o rumo, pois voltei a perder peso, de forma muito lenta. Como lição, aprendi que estes “sheiks” ou “sopas” para substituir uma refeição podem servir para pessoas que necessitem perder pouco peso em curto espaço de tempo, mas são muito prejudiciais se usados por muito tempo.

Desse modo o passo nove é: mantenha uma dieta diversificada e não utilize nenhum tipo de alimento ou suplemento de forma continuada.

Por Gladis Franck da Cunha
Related Posts with Thumbnails