Piaget preconiza que os sistemas cognitivos se desenvolvem sempre no duplo sentido de se diferenciarem de suas bases biológicas mantendo uma coerência crescente com as mesmas. Desse modo, ao compreenderem-se algumas características fundamentais dos sistemas biológicos, estaremos também compreendendo as bases do desenvolvimento cognitivo.
O conhecimento é um evento complexo que não consiste apenas em adquirir e armazenar informações, mas em organizá-las e regulá-las para a solução de problemas. Envolve, além disso, a necessidade de simbolização, imaginação e invenção. Para Piaget [1], as funções mais gerais que caracterizam o organismo, tais como: organização; adaptação e assimilação; conservação e antecipação; regulação e equilibração, também se encontram todas no campo cognitivo e desempenham o mesmo papel. Ele ressalta, porém, que as correspondências entre os caracteres essenciais do conhecimento e as funções orgânicas básicas, apesar de evidentes são parciais, já que o conhecimento supera-os continuamente.
A compreensão da inteligência como um todo não se limita a suas bases biológicas uma vez que ela as ultrapassa à medida que se desenvolve. Simplificando, como muitas vezes ouvi de Fernando Becker [2], as bases biológicas são necessárias, mas não suficientes para o desenvolvimento da inteligência. Assim sendo, podemos nos questionar: afinal, para que serve este tipo de conhecimento aos educadores?

