31 Março, 2008

A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO BIOLÓGICO PARA O EDUCADOR

Piaget preconiza que os sistemas cognitivos se desenvolvem sempre no duplo sentido de se diferenciarem de suas bases biológicas mantendo uma coerência crescente com as mesmas. Desse modo, ao compreenderem-se algumas características fundamentais dos sistemas biológicos, estaremos também compreendendo as bases do desenvolvimento cognitivo.

O conhecimento é um evento complexo que não consiste apenas em adquirir e armazenar informações, mas em organizá-las e regulá-las para a solução de problemas. Envolve, além disso, a necessidade de simbolização, imaginação e invenção. Para Piaget [1], as funções mais gerais que caracterizam o organismo, tais como: organização; adaptação e assimilação; conservação e antecipação; regulação e equilibração, também se encontram todas no campo cognitivo e desempenham o mesmo papel. Ele ressalta, porém, que as correspondências entre os caracteres essenciais do conhecimento e as funções orgânicas básicas, apesar de evidentes são parciais, já que o conhecimento supera-os continuamente.

A compreensão da inteligência como um todo não se limita a suas bases biológicas uma vez que ela as ultrapassa à medida que se desenvolve. Simplificando, como muitas vezes ouvi de Fernando Becker [2], as bases biológicas são necessárias, mas não suficientes para o desenvolvimento da inteligência. Assim sendo, podemos nos questionar: afinal, para que serve este tipo de conhecimento aos educadores?

02 Março, 2008

Próteses recheadas de chips eletrônicos

cyberpunk
O futuro idealizado na primeira metade do século XX nunca foi a do gênero humano integrado à natureza e sim figuras vestidas de roupas colantes prateadas se locomovendo em calçadas rolantes. Pois bem, o futuro previsto já chegou, mas não se cumpriu na medida em que se imaginava nos filmes de ficção científica da década de 50: a homogeneidade esperada não aconteceu. Tem-se no planeta vários períodos históricos acontecendo simultaneamente, desde o paleolítico aborígene até a supremacia tecnológica compartilhada pela elite dos habitantes de países supercivilizados.

De uma certa forma, o desejo expresso na iconografia do futuro está se realizando no sentido do afastamento incondicional do homem da natureza, onde a urbanização tornada padrão e graças à dinâmica proporcionada pela rede dos transportes super-rápidos, aplainou as diferenças culturais. As aquisições tecnológicas ocorrem padronizadamente em todas os lugares: carros, telefones, sistema urbano, comunicações, edifícios, etc, deflagraram a irreversível ocidentalização mundial.

Nesse contexto, observa-se um fenômeno curioso no seio da massa consumidora de tecnologia – a materialização do sonho de ficção científica do gênero cyberpunk na mesma medida de filmes como Metrópolis, Blade Runner e Matrix. Observa-se máquinas se humanizando e humanos paulatinamente se mecanizando, pioneiramente sob a massificação dos implantes de próteses e num segundo momento, pela implantação de chips no corpo de toda a eletrônica embarcada que atualmente as pessoas portam nas suas bolsas e roupas.

A geração dependente de Ipods, palm-tops, mp3-players, iphones, bluetooths, GPS, etc, demanda conexões full-time, então não seria surpreendente a corrida às clinicas quando começar a venda do primeiro aparelho chip-computador dentro do corpo. Então, definitivamente o homem estará caminhando em direção à sua mecanização, dando seguimento à idade do silicone que chegou às ruas no fim do século XX.

Assim, sou levado a imaginar que o futuro da miniaturização eletrônica é cada vez mais a radicalização da nanonização de dispositivos até a sua transformação em chips implantáveis em diversas áreas do corpo. Dependendo de como se encara os benefícios das novas tecnologias, pode ser que o futuro reserve um quadro de dor ou benção. É terror se for imaginado um mundo em que as pessoas tenham implantados em seus corpos chips de localização por satélite, de acesso à internet, de transmissão e recepção de imagens, de reprodução de música digital, ou seja, a internalização orgâniza de tudo que se tem hoje em dia em termos de parafernália eletrônica pessoal. É benção se a evolução humana for entendida como um caminho inexorável em direção à máquina no contrariando a mensagem do visionário filme de Fritz Lang, Metrópolis.

Referências
Título: Próteses recheadas de chips eletrônicos
Autor: Isaias Malta
Publicado em: 02/03/2008
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