30 Outubro, 2007

Reflexões sobre o conhecimento científico e a compreensão do ser humano

Em biologia não existe ação sem interação e toda interação modifica o organismo, exigindo regulações, não havendo, portanto, unidirecionalidade, ou seja um organismo não é capaz de modificar o meio sem modificar-se.


Segundo Piaget, problematizar o conceito de meio ou ambiente a partir de um posicionamento interacionista significa vê-lo em funcionamento, ou seja, de forma cibernética uma
vez que todo funcionamento envolve comunicação e trocas, bem como os sistemas que controlem estes processos de interação e trocas.
 

De modo que, na perspectiva cibernética, o conjunto não se reduz aos seus componentes considerados isoladamente, é necessário conhecer o conjunto dos componentes e as relações criadas entre eles, as quais apresentam uma organização e uma história.

Em outras palavras, o ambiente não pode ser considerado à parte dos organismos, apenas como um espaço físico no qual vivem os seres vivos. Deve, por outro lado, ser visto como um contexto onde diferentes formas de vida se interpenetram em função das relações que estabelecem no tempo e no espaço. Como afirma Piaget "no campo da vida tudo está incessantemente em movimento, incluindo precisamente as estruturas particulares que se sucedem sem retorno no curso da evolução e contudo as grandes funções permanecem invariantes, o que constitui seu interesse central"[1].

Por mais que variem as formas de vida ela permanece essencialmente a mesma desde as bactérias até o ser humano, no sentido em que viver significa interagir, ou seja, mudar e modificar-se, quer no âmbito das relações organismo e meio ou sujeito e objeto.

Os seres vivos podem ser considerados sistemas semi-abertos, isto significa que apresentam um ceto fechamento capaz de garantir a manutenção do sistema e uma abertura, que se substancializa nos processos de trocas com o meio.
A conciliação entre o fechamento indispensável à manutenção do sistema e a abertura necessária às trocas resulta em organização cíclica, testemunhada por todas as manifestações vitais em todas as escalas.


Uma safra de enquadrados

Nos primórdios da fotografia, acreditava-se que a nova máquina aprisionava a alma do retratado, hoje se supõe são apenas superstições. Para Jonatan isso foi até hoje, porque a sua alma terminou aprisionada numa fotografia muito especial...

Fotógrafos cegos - Evgen Bavcar 4

...ANTERIOR
- Senhor Enquadrador, um assunto que começou inocentemente sobre as nuances da arte fotográfica, acabou descambando para o terreno movediço da salvação da alma. Não estou tão seguro de que um simples ofício de capturar a luz numa câmara escura traga tantas implicações quantos o Sr. sugere. Muitas das suas assertivas beiram a superstição e outras nem sequer beiram, porque estão submersas numa mística medieval já superada. A sua metafísica da busca do essencial já foi derrubada pela razão moderna, que suprimiu as culpas impostas pelas tradições judaico-cristãs. Não me resta outra alternativa senão criticar a sua arrogância e a sua disparatada auto-suficiência de se considerar um anjo do apocalipse.

- Meu caro entrevistador, saiba que as suas objeções são inteiramente compreensíveis, já que doravante o Sr. está pessoalmente implicado com um dos meus enquadramentos.

O fotógrafo lhe mostra uma fotografia de 10x15, tirada casualmente durante a entrevista. Jonatan a vê, a princípio causalmente, mas depois a sua atenção é sugada vorazmente pela janelinha a sua frente. É a sua imagem que ele vê, não reflexo da cópia fiel que ele vê no espelho, mas algo que lhe borbulha as entranhas. Um estranho estupor lhe sobe pela coluna paralizando-o. Quando se dá conta, suas mãos rechaçam subitamente a figura crescendo desmensuradamente, e o retrato volta a ser um pequeno retângulo brilhoso de papel plastificado, uma quinquilharia que não valia a sua atenção. Jonatan se recompõe e assume novamente os seus controles racionais.

- (Ele faz o gesto que simboliza a interrupção da conversa) A entrevista termina aqui, que para mim teve importância enquanto se ateve à técnica fotográfica, quanto ao resto, espero que cada telespectador faça os seus julgamentos e, por segurança, se mantenham longe das obras deste Senhor, coisa que eu não fiz. (O entrevistador ri e se despede do enquadrador tentando disfarçar seu ceticismo divertido.)

Dias depois do rotineiro encontro.
Jonatan relegou nos dias seguintes aquele episódio ao nível dos acontecimentos bizarros e tentou voltar à sua primitiva rotina de trabalho e da vida comum. Jonatan esqueceu rapidamente da entrevista com aquele maluco e fez muitas outras, eventualmente com outros malucos, mas a rarefeita paz que lhe embalava as noites se desfez e ele perdeu o sossego. Jonatan nunca atribuiu o seu mergulho àquele encontro fatídico com o enquadrador, mas foi como o cair num redemoinho e ao cabo de uma doença inexplicável morreu. Sua última imagem lúcida foi a fotografia que o enquadrador lhe mostrou quando entrou no estúdio para a entrevista: um vasto campo de sal, ocupado por uma figura nua de homem em primeiro plano. A probreza da foto tinha tudo para ser esquecida, não fosse por um detalhe; a expressão do personagem que o observava lhe causou uma estranha impressão, era como se tivesse se olhando no espelho, era ele que se olhava com uma expressão de angústia existencial.
Jonatan vacilou inicialmente e se viu parado absorvido por aqueles olhos que lhe comiam a alma, mas logo a premência do tempo e o compromisso da entrevista e a urgência do início das gravações fê-lo desviar os olhos e devolver respeitosamente a foto ao enquadrador. Jonatan se recusou a contemplar e a acreditar, então não foi tocado pela oportunidade.

Ninguém do seu círculo de parentes e amigos soube do episódio da entrevista, mas os que compareceram ao enterro mal prestaram atenção a um homem corpulento, com jeitos de fotógrafo.
Ao cabo das cerimônias fúnebres e do ato final de emparedamento do defunto, a maioria dos presentes foi obsequiada com uma foto dada pelo sujeito que parecia ser o fotógrafo oficial da família. No final da cerimônia, somando-se ao um clima de tristeza, normal nessas em circunstâncias, uma angústia difusa tomou de assalto os presentes, eles não choravam mais pelo defunto, mas sob o impacto da imagem que lhes marcara indelevelmente o espírito e que lhes acompanhariam a vida agora abrevidada, no máximo pelos próximos três meses.

Os fotografados morreram do mesmo mal de Jonatan, de uma estranha e inexplicável doença da alma. Nos enterros compareceu um homem que parecia ser o fotógrafo da família, mas que na realidade era um vingativo Anjo do Apocalipse travestido em roupagens modernas.
FIM.

Por: Isaias Malta

29 Outubro, 2007

Hormônios e Neotenia na Evolução Humana

macaco e homem, pensando


Na década de oitenta surgiram fortes evidências moleculares apoiando, de forma contundente, a hipótese de que chimpanzés e gorilas estão mais próximos genealogicamente do grupo humano do que dos orangotangos e gibões. Sabe-se que o homem e o chimpanzé são as espécies mais recentes entre os hominídeos[1]. De acordo com Bonatto (1988)[2], em 1975, os pesquisadores King e Wilson utilizaram todas as técnicas bioquímicas disponíveis para examinar tantas proteínas quanto possível, verificando que as diferenças entre os genes estruturais de chimpanzés e humanos são extraordinariamente pequenas.

As técnicas moleculares revelaram que o tempo decorrido entre a separação da linhagem que conduziu ao gorila e a separação posterior entre as linhagens do homem e do chimpanzé seria de 500 mil a um milhão de anos (Bonatto, 1988).Um intervalo de tempo de quinhentos mil ou um milhão de anos é muito pequeno se for comparado com a hipótese de 15 milhões de anos proposta pelos estudos antropológicos tradicionais a partir da análise de fósseis. Também continua a ser um intervalo de tempo perturbadoramente pequeno se comparado aos cálculos obtidos a partir das distâncias imunológicas, os quais sugerem que a separação entre a linhagem humana e a dos grandes macacos teria ocorrido há 5 milhões de anos.

26 Outubro, 2007

Anjo do Apocalipse

Não há hipótese de recuo, uma vez enquadrado o indivíduo terá que optar por um caminho, retomando o tema das pílulas azul e vermelha de MATRIX com a diferença de que aqui a pílula do arrependimento está selando definitivamente uma opção de vida.


...ANTERIOR
- Você se considera um anjo do apocalipse ao ambicionar a destruição da realidade?

- Pode parecer uma falta de humildade e tanto, mas um enquadrador é um anjo destruidor em miniatura, porque destruo as esperanças no presente. Os anjos que destruíram Sodoma e Gomorra com o fogo do céu, não o fizeram subitamente como pode ser interpretado da bíblia. Ao contrário, vieram muitos deles e fizeram um trabalho de anos de pequenas destruições, criaram os buracos necessários dinamitando ínfimas porções da realidade, e só então provocaram o espetacular holocausto da narrativa bíblica. Neste momento muitos enquadradores trabalham em silêncio produzindo buracos e mais buracos, todos muito pequenos para ser notados, mas que somados já permitem que se vislumbre a essência por baixo da areia de deserto do esquecimento do sentido da vida.

- Qual é o conselho que você dá àqueles que continuam sonhando em Sodoma e Gomorra?

- Que entrem por um dos buracos, que se desapressem e se desachatem. Os meus enquadramentos não são à princípio obras de destruição, analogamente ao ponto fundamental continente de todos os pontos do universo, o Aleph de Jorge Luis Borges, os meus enquadramentos são chamamentos à significação de cada um. Os espectadores tanto podem incolumemente passar pela visão, como também sofrer um choque existencial tão forte que resgate a essência da vida. Meu trabalho não é mau ou bom em si mesmo, meus enquadramentos são pedaços rarefeitos da realidade, de onde foi retirada toda a contaminação moderna, da qual sobra o valor dado pelo enquadrado: caso ele pare diante da imagem, será resgatado, caso siga seus passos sem ter sido tocado, terá grandes problemas no que lhe restar de vida, porque a cortina diante das suas vistas já terá sido rasgada, não restará paz no seu resto de vida.

- A morte será o prêmio pela recusa à contemplação?

- Uma vez enquadrado, o indivíduo não terá mais escapatória. Minhas obras são janelas que não aceitam a indiferença. De qualquer maneira ele estará para sempre implicado e mesmo que cada um mantenha o seu livre arbítrio, cada um é escravo das suas escolhas. O que eu quero dizer é que ninguém é obrigado a olhar as minhas fotografias, mas elas estão por aí prontas para serem espiadas, sem que eu dê um aviso prévio do risco que correm. Ao contrário do relatado no filme Matrix em que Morpheus oferece a opção das pílulas vermelha e azul ao discípulo Neo, os meus enquadramentos são o que são perante os espectadores e a maioria jamais saberá que aquele momento decisivo está selando definitivamente as suas vidas.
CONTINUA...


Por: Isaias Malta
Ilustração: All Music

25 Outubro, 2007

Contrapontos

O enquadrador não deseja produzir arte consumível e nem estar no topo da evidência, preferindo se autodenominar de criador de buracos causadores de contemplação e quem for parado por eles jamais será o mesmo.

Anoitecer com luz artificial
...ANTERIOR
- Você se considera uma antítese a tudo isso?

- Minha autodenominação explicita isso. Minha missão é enquadrar, para dar significado a tudo aquilo que a apressada vida industrial desvalorizou. E para contrapontuar as perdas teleológicas deste estilo de vida, tento aprisionar a luz dos personagens esquecidos pela contemporaneidade. Saio dos recintos fechados, não no sentido da busca do ar livre, mas da visão que se fechou, e procuro ressuscitar a metafísica das pequenas banalidades. Meus enquadramentos buscam a essência dos personagens desprezíveis, que podem ser inquiridos e que podem fornecer respostas.

- Enquadrando, você resgata uma metafísica perdida?

- Sim, ao enquadrar as cenas complexas destes tempos, são os meus olhos que resgatam a história que está sendo perdida. E não estou sozinho nesse processo, já que tenho que usar a imagem num mundo devotado 100% para a imagem. Sou um músico de orquestra tocando uma flauta picolo numa fanfarra de bilhões de outros instrumentos. É a sina dos mega acontecimentos dentro da sociedade de consumo, um lugar em que a explosão de cores e formas se saturou tanto que formou um deserto. É esse deserto que delimita o meu espaço de expressão. Por isso delimito e enquadro minúsculas porções da saturação reinante e faço sucessivas reduções, retirando os excessos de luz, cor, sons, enfim, suavizo a expressão dos personagens torturados pela excedência e os revisto de pobreza significante. Só aí eles revelam a sua essência perdida nas esteiras da produção em série.

- Então você ao desmassificá-los, torna-os únicos num retorno ao estado inicial da unidade perdida, ou na criação de uma identidade nova?

- A sociedade moderna jamais conseguiu mudar o essencial, ele está aí e sempre esteve,soterrado por milhões de toneladas de lixo multimídia. Como estamos na era da duplicação, o essencial também é reproduzido em escala absurda formando imagens duplas, triplas, quádruplas, quase ao infinito. Nós destruímos a quietude com a ditadura dos excessos. Há cheiros em demasia, assim como luzes, formas, texturas e imitações. Na ânsia de imitar a natureza e criar um mundo artificial o mais benevolente conosco, nos cercamos de uma parafernália desessencializadora que embaralhou os últimos resquícios de referência. Quando enquadro, vou retirando todas as imagens soprepostas, uma a uma, até que reste a original, aquela que dá significado ao personagem. Então ele se desachata e preenche o espaço que é seu por direito, resgatando o significado perdido para a industrialidade.

- Como enquadrador, o resultado da sua arte é consumido por quem?

- Esse é o paradigma que quero quebrar, não espero que a minha arte seja consumida, ela não é alimento para ser digerido. Os meus enquadramentos devem conduzir à contemplação dos buracos que provoco no deserto da pressa civilizadora. Alguém que pare um minuto diante de um deles, terá cumprido a minha missão. Contudo, aquele que entrar por um daqueles buracos, terá ido muito mais além das minhas ambições, porque se tornará também um enquadrador, um igual que produzirá os seus próprios buracos, num efeito multiplicador. A última esperança para a nossa era não seja conhecida no futuro como a idade de trevas, é o fustigamento dos seus componentes monolíticos. atacando as micro fissuras de escassez essencial.
CONTINUA...

Por: Isaias Malta

23 Outubro, 2007

Vazio deslocado de lugar

ilusoões do reflexo
Qual é a diferença entre a fotografia da exposição e o registro luminoso do fato familiar banal? Porque um deles se reveste de significado, enquanto outro terá valor apenas associativo atribuído pelos atores participantes daquele restrito círculo? Não se pode dizer que as duas dimensões aprisionam luz, porque a fotografia assim o faz, enquanto o registro armazena a nulidade do olhar que não enquadrou o mundo.

Uma entrevista banal sobre fotografia envereda sobre as questões básicas do ser e atinge um clímax inusitado para o próprio entrevistador, pego de surpresa e vítima das artimanhas do enquadrador:

- Antigamente me chamavam de fotógrafo, mas depois que a fotografia rolou para a vala comum da instantaneidade digital, passei a encarnar o personagem que enquadra a realidade.

- Qual é a diferença do enquadrador para o fotógrafo de celular?

- Eu aprisiono a realidade dentro dos limites da lente, eu estipulo as dimensões do mundo cabíveis dentro de um esguio retângulo, enquanto a pessoa comum nada aprisiona. Ela se limita a provocar um furo entre o nada e o lugar nenhum, não como troca luminosa, mas como o vazio deslocado de lugar. Eu falando sobre isto é como se tivesse dando importância metafísica a uma transposição de não-ser e é uma pena que a vulgarização da fotografia não tenha nenhuma importância como produto, mas sim como um processo de nulificação.


- Você acha que os fotógrafos digitais se nulificam?

- De certa maneira eles já foram nulificados pela cultura de massa, pela produção em massa, pelo consumo em massa, pela artificialização do ser humano acabado em próteses. Então o ato nulificador das montanhas de fotos armazenadas em memórias de cartão e memórias USB são o produto de uma nulificação prévia que anomizou o fotógrafo antes mesmo dele apertar o botão.

- É uma coisificação?

- A tecnologia transferiu a importância dos fins para os meios. Com a consumação do fim último humano, as coisas necessárias para atingir o bem viver foram elevadas à divindade do significado da vida. Procura-se qualidade devida para viver bem, mas para quê? Ninguém sabe mais sobre o sentido da vida porque é mais importante comprar bens de consumo para viver bem do que responder à pergunta básica. Assim, um humano coisificado quando tenta enquadrar a realidade, engendra uma estranha alquimia que transferirá para a matriz digital o mosaico de pixels que lhe preenche o cérebro. O produto fotográfico em escala massiva reflete o achatamento que a realidade das pessoas experimentou a partir do momento em que as suas vidas perderam o sentido.

- O quê elas fotografam?

- A luz pode ser captada ativamente ou passivamente. As pessoas não enquadram, elas simplesmente anulam todo o resto fora dos limites do diafragma e guardam a luz sobrante. Mas tudo que carece de significado é muito pouco para ser guardado. Um rosto, um morro, ou uma rua, ou são personagens, ou não são nada. Sem a força simbólica, a luz trai o fotógrafo e se perde quando aprisionada. Aí a resposta mais adequada à pergunta é que as pessoas ao invés de enquadrarem, provocam um furo de luz na realidade onde os anti-personagens se movimentam em espaços de não-luz.
CONTINUA...

Por: Isaias Malta

22 Outubro, 2007

Pane Seca!

Onde foram parar as teclas certas? Algumas vezes o teclado de um piano pode perder o significado. Esta pode ser uma situação agustiante comparável a uma pane seca num avião.


Há vários anos que em Bento Gonçalves as professoras de piano clássico se reúnem e promovem uma audição coletiva de seus alunos para familiares e convidadados. Em 2007 foi realizada a vigésima primeira, mas esta foi a segunda vez que me apresentei para executar uma peça solo.

Nestas audições vêem-se as crianças menores, que estão começando e vamos avançando até os alunos mais adiantados que tocam as peças complexas em versões originais. Assim a comunidade pode ter uma idéia do trabalho das professoras e acompanhar o desenvolvimento técnico dos alunos.

O local de realização destas audições é o Clube Aliança, onde há um piano de meia cauda modelo Essenfelder. Suas teclas são muito leves, com um curso bem curto, além disso, que está tocando ouve menos do que as pessoas que estão mais distantes. Estes elementos acrescentam um grau de dificuldade maior às audições.

Além das características do piano, há outros elementos complicadores como o tamanho do público que gira em torno de trezentas pessoas por noite, os fotógrafos que ficam disparando flashs durante a execução das peças e os operadores de filmadoras que produzem as imagens que são projetadas em um telão e, para isso, ficam se movimentando ao lado do piano.

Para atender a demanda de alunos, as audições de piano são realizadas em dois dias, numa sexta-feira e no sábado à noite. Até a décima sétima audição em 2003 a única adulta, com mais de 25 anos que se apresentava era minha professora. Na décima oitava audição em 2004, apresentou-se também meu marido Isaías, um quarentão que começara a estudar no dia 22/09/2003. Ele tocou uma versão facilitada do Adágio de Albinoni.

Em 2005, na décima nona audição, outra quarentona que começara a estudar em agosto desse mesmo ano, também se apresentou numa peça a quatro mãos. Essa fui eu que toquei com meu marido. Além de nós, uma outra aluna que iniciou seus estudos formais com mais de 25 anos também se apresentou.

Na audição seguinte em 2006, toquei uma peça solo e mais uma a quatro mãos. Nessa audição além de nós três, apresentou-se um promotor de justiça que estava retomando seus estudos, tendo sido nivelado como aluno de quarto ano.

Em todas as audições há vários alunos que cometem pequenos erros e um ou outro que tem um branco e fica mais seriamente em apuros. Em 2007, durante a execução de minha peça solo, vivi um destes momentos. A peça tão estudada desde o início do ano, uma versão facilitada da valsa de Brahms opus 30 número 15 saiu do controle após eu ter chegado à metade. Eu comecei a errar e as teclas do piano ficaram todas confusas. Tentei recomeçar a partir do erro e não consegui, então tentei pular a parte em que estava me atrapalhando e retomar a melodia inicial que se repetia no final para concluir. Isso também não deu certo. Daí, só me lembrei que a última nota era dada com a mão esquerda e toquei uma tecla naquela direção dando por encerrada a execução. Infelizmente, a tecla que eu acertei também não era a correta, assim mesmo finalizei me levantei do piano e agradeci aos aplausos.

Um pouco depois subi novamente ao palco para a peça a quatro mãos na qual nos saímos bem sendo bastante aplaudidos. Depois foi só curtir os alunos mais avançados, alguns dos quais são muito bons.

A situação de esquecimento, assistida em um telão ao vivo por mais de 300 pessoas, não é nada agradável, mas faz parte da aprendizagem e não vai me fazer desistir de participar das audições, pois acredito que com o tempo vou me tornar mais segura e não ficarei mais tão nervosa. Além disso, acho importante mostrar que os adultos podem começar coisas novas na vida e têm o direito de cometer erros de principiante como qualquer criança.

Ao final da audição algumas pessoas vieram me parabenizar, elas certamente compreendem que algumas situações são mais complicadas para os adultos do que para as crianças, que lidam melhor com as falhas.

Este momento eu relacionei com o evento de pane seca da aviação, quando o combustível acaba em pleno vôo e o piloto precisa solucionar o problema da melhor forma possível. O importante nestes casos é pousar o avião de forma a sair dele andando e se a aeronave puder ser concertada e voltar a voar pode-se considerar um pouso perfeito. Em alguns casos a única alternativa do piloto é se ejetar, perde-se o avião mas sobrevive-se para voar novamente. Acho que me enquadro nessa segunda opção e espero conseguir pousar no próximo ano.

por Gladis Franck da Cunha

Ilustração: Chessalee

21 Outubro, 2007

Uma Interpretação Alternativa do Conceito de Fenocópia

Piaget interpreta fenocópia num sentido diferente do convencionado pela Genética, a fim de ressaltar a possibilidade de uma alteração fenotípica vantajosa ser assimilada pelo genótipo tornando-se hereditária. Para ele, a fenocópia é uma convergência entre o resultado de uma adaptação fenotípica e uma subseqüente modificação genotípica.


Para entendermos melhor o conceito piagetiano de fenocópia precisamos analisar alguns conceitos centrais em sua obra, tais como: interação e meio.

O conceito de interação que Piaget utiliza em toda sua obra ultrapassa dialeticamente as posturas aprioristas (de primado do organismo sobre o meio ou do sujeito sobre o objeto) e finalistas (de primado do meio sobre o organismo ou do objeto sobre o sujeito).

Dessa forma o seu conceito de meio também está impregnado de interação, pois ele nunca o interpreta apenas como um lugar, isolando seus constituintes abióticos dos bióticos. Mais do que isto, quando se refere especificamente ao meio em relação ao ser humano sempre ressalta simultaneamente seus aspectos físicos e sociais.

O significado do meio físico ou social em Piaget nos revela um papel muito intenso do meio na constituição dos sujeitos da educação sem descartar a importância destes sujeitos em si mesmos, havendo uma continuidade entre ambos, a qual estabelece um contexto de convivências, gerador de transformações mútuas em todos os níveis.

Piaget trabalha com o pressuposto de que os organismos escolhem assim como transformam o meio através de seu comportamento. Desse modo há sempre um processo seletivo recíproco permeando as interações organismo/meio, pois ao selecionar um meio, o organismo, interage com ele, modificando-o à medida que retira do mesmo os elementos necessários à sua sobrevivência, acrescentando, entre outras coisas, os elementos provenientes do seu próprio metabolismo.

Ao ser modificado o meio passaria a exercer sobre os organismos diferentes pressões seletivas, para as quais se exigiriam novas respostas adaptativas dos organismos. Sempre que algumas destas novas respostas redundem em mudanças genéticas nos indivíduos atribui-se um papel do meio como fonte de variabilidade genética tão importante quanto os processos intrínsecos dos organismos. Por este motivo a abordagem de Piaget sobre meio é feita a partir das concepções sobre evolução, as quais permeiam toda análise biológica contemporânea.

A ênfase piagetiana na equivalência das influências do meio e do organismo nos processos evolutivos oferece um paradigma que nos permite ir para além de Darwin e Lamarck na interpretação dos processos de evolução orgânica através de seu conceito de fenocópia, o qual também envolve uma reflexão sobre as relações entre comportamento e evolução.

De forma resumida o comportamento pode ser definido como a possibilidade dos animais lidarem com o meio externo, adaptando-se ao mundo que os rodeia. No caso do ser humano esse comportamento abarca especializações cognitivas e biológicas, as quais nos capacitam a aprender, a conhecer e nos comunicar com os outros seres humanos através de símbolos, tornando nossa natureza rica, sutil, variada e versátil.
O comportamento é uma estrutura fenotípica, que, como todas as outras, resulta de uma interação indissociável entre o meio e a informação hereditária. No campo da inteligência, tanto o exercício quanto a construção dos esquemas supõem uma interação contínua entre o sujeito e os objetos.[1]

Piaget concede ao comportamento um papel fundamental no processo evolutivo. Para ele a qualidade básica da vida é a preservação de si mesma, que diferencia os seres vivos dos mortos e da assim chamada “matéria bruta” ou “inanimada”. Como enfatiza, a capacidade de interagir é o aspecto mais geral da vida e o comportamento é a maneira como os animais viabilizam essa sua interação com o meio.

Todavia, ele enfatiza que o comportamento não se restringe a reagir ao meio adequando os indivíduos às diferentes circunstâncias, pois também envolve a ampliação incessante do meio pelos organismos, resultando em novas condições ou desafios ambientais, os quais exigirão novas adaptações e transformações destes organismos.

Dessa forma, o comportamento é traduzido por Piaget como um motor da evolução, pois vai submetendo o organismo a novas condições ambientais, que se constituirão em novos desafios e novas adaptações, num movimento contínuo.

O caráter “ajustado” do comportamento ao meio levou Piaget a questionar seu surgimento. Como ele poderia ter se desenvolvido por acaso sem informações provenientes do meio? A solução teórica que apresentou envolveu a elaboração de uma metáfora sobre fenocópia, alterando o seu significado original proposto pela Genética.

Em biologia o termo fenocópia refere-se a um fenótipo, desenvolvido em resposta a um estímulo ambiental, o qual se assemelha a um outro fenótipo conhecido como produto de uma mutação gênica. [2]

Quando um fenótipo apresenta um defeito morfológico de órgãos, ou de partes do corpo resultante de um processo de desenvolvimento intrinsecamente anormal é chamado de malformação. Quando esse defeito resulta de uma interferência extrínseca, não hereditária, num processo de desenvolvimento originalmente normal, é chamado de disrupção. Desse modo, foram descobertos alguns casos de disrupção que foram classificados como fenocópias. Um bom exemplo estudado pela Genética é a disrupção causada pela Talidomida.

Existe um síndrome denominada de Holt-Oram que produz uma aplasia radial com malformação esquelética dos membros superiores, que pode ser idêntica a certas disrupções, causadas pela ação da Talidomida. Nesse caso, a síndrome de Holt-Oram é o produto de uma mutação gênica, que pode ser mimetizada por um efeito ambiental. Diz-se, neste caso, que o fenótipo produzido pela Talidomida é uma fenocópia desta síndrome.[3]

A metáfora sobre fenocópia proposta por Piaget sugere que algumas mudanças orgânicas tenham se originado de adaptações dos organismos ao meio, as quais foram assimiladas ou copiadas pelo genótipo. Ou seja, primeiro surgiria uma característica no fenótipo, a qual ampliaria ou, mais ainda, tornaria possível a adaptação do organismo ao meio e, subseqüentemente, esta característica se tornaria hereditária.

Esta suposta cópia que o genótipo faria do fenótipo seria uma reconstrução fundada na seleção orgânica, posto que “a retroação que vai desde o fenótipo aos genes reguladores da síntese, não lhes informaria o que têm que fazer, a não ser a presença de desequilíbrios, que desencadeariam variações gênicas em ‘scanning’ escolhidos e orientados pela seleção orgânica” (Piaget, 1978a, p. 67)[4].




Dessa forma, para Piaget, o meio não se imporia ao organismo transformando-o ‘ao seu bel prazer’, mas a adaptação vital decorrente de suas interações poderia gerar alterações orgânicas. Tais alterações orgânicas poderiam ser assimiladas pela informação genética de forma a conferir uma maior viabilidade a estes organismos, desde que os mesmos tivessem capacidade para isto.

Assim, o genótipo não copiaria, simplesmente, as soluções encontradas pelo fenótipo, mas se reestruturaria, ou reequilibraria a partir de seus elementos intrínsecos, garantindo que certas variações se tornassem parte do seu patrimônio hereditário. Estas reconstruções do genótipo decorrentes da adaptação vital seriam, para Piaget, a principal fonte de variabilidade dos seres vivos.

Uma mesma linha de pensamento pode ser atribuída a Maturana e Varela[5], quando salientam que a conservação da autopoiese e da adaptação são condições necessárias à existência dos seres vivos, de forma que, a mudança ontogênica de um ser vivo no seu meio será sempre uma deriva estrutural congruente entre o ser vivo e o meio. As perturbações do ambiente não determinariam o que acontecerá ao ser vivo, pois é a estrutura deste, que define quais mudanças ocorrerão, porém, ao observador essa deriva parecerá “selecionada” pelo meio ao longo da história de interações dos seres vivos.

Em sua hipótese de evolução, Piaget propõe através de uma interpretação alternativa do conceito de fenocópia que, num primeiro momento, o meio desafiaria novas alternativas fenotípicas, a partir das quais, sempre que um fenótipo decorrente do processo adaptativo se constituísse como fonte de desequilíbrios internos e duradouros o genoma acabaria por se reestruturar.

Esta hipótese, para o autor, explicaria melhor o caráter amplamente adaptado dos organismos ao seu meio, de forma muito mais convincente do que atribuir tal fato, exclusivamente, às mutações casuais seguidas de recombinação genética e seleção, uma vez que a adaptação vital precederia a reestruturação genética sempre que ambas fossem possíveis.

O conceito de fenocópia de Piaget propõe a reestruturação do genoma em função de desequilíbrios gerados pela adaptação fenotípica aos diferentes ambientes. Esta idéia amplia o conceito de pressão seletiva, incluindo o próprio fenótipo como passível de gerar tensões que desequilibram a estrutura da informação hereditária, transformando-a.

 
Por:  Gladis Franck da Cunha
Referências:
[1] PIAGET, Jean [1967] Biologia e conhecimento. 1ed. Porto : Rés ed, 1978b.
[2] FUTUYMA, Douglas J. Biologia evolutiva. Ribeirão Preto : SBPC ; CNPq, 1992.
[3] BORGES-OSÓRIO, Maria Regina ; ROBINSON, Wanyce M. Genética Humana. Porto alegre : E. Universidade ; UFRGS ; Artes Médicas, 1993.
[4] PIAGET, Jean. [1974] Adaptación vital y psicología de la inteligencia Madrid : Siglo XXI de España ed., 1978a.
[5] MATURANA, Humberto R. ; VARELA, Francisco G. A árvore do conhecimento: As bases biológicas do entendimento humano. Campinas : Editorial Psy II, 1995.

Combatendo o Sal!

A adoção recente do sal na história da culinária não foi por nutrição, mas pelo prazer, e como todo o prazer, participa coadjuvantemente de uma extensa gama de efeitos colaterais: desde a síndrome das doenças cardio-vasculares até a obesidade.


Em dietas de redução de peso sempre há a recomendação de “eliminar os doces”, mas nada se escuta sobre o sal, como se ele não fosse muito importante, mas este é um grande equívoco! Até mesmo o ícone do pouco comer são as “bolachas de água e sal”. Dizem os médicos que elas são pouco eficientes para a perda de peso porque não possuem apenas água e sal, mas têm farinha, um carboidrato. Mas seu grande vilão é mesmo o sal.
Vou seguir pela contra-mão do senso comum e ressaltar a necessidade de redução DRÁSTICA do sal.

PASSO SEIS: Combatendo o sal.
Embora não se dê muita atenção o sal pode se constituir num grave componente de estresse ao organismo, pois para nossas células funcionarem elas necessitam de um micro-ambiente onde há vários sais dissolvidos formando diferentes íons. A concentração de cada íon é específica e deve haver um equilíbrio entre eles. Dentro das células deve haver uma concentração maior de potássio enquanto fora a concentração de sódio deve ser maior. Quase trinta por cento da energia gasta pelas células diariamente é direcionada para manter este balanço entre o sódio(fora) e o potássio(dentro).
Ao acrescentarmos sal aos alimentos aumentamos o trabalho das células e, conseqüentemente, seu estresse. Desse modo dificultamos o equilíbrio do nosso ecossistema corpo, que diante de “toxidez” do excesso de sal vai reter mais tecido adiposo, a fim de reter líquidos e tentar equilibrar o grande excedente do sódio em relação ao potássio. Todavia as conseqüências não acabam por aí pois os rins são sobrecarregados e a pressão arterial tende a subir também.
Portanto o “tempero” do sal é um empecilho ao equilíbrio do ecossistema corpo e uma barreira à dieta ecológica.

Eu passei a utilizar alimentos integrais quando comecei a almoçar num restaurante macrobiótico em Porto Alegre (hoje ele não existe mais). Lá além dos grãos não serem refinados, quase não era usado sal. A princípio estranhei o sabor ou o que eu chamava de falta de sabor dos alimentos, mas com o tempo meu paladar foi se refinando e passei a sentir melhor o gosto de tudo. Além disso, usando menos sal passei a sentir menor necessidade de consumir alimentos açucarados. Segundo as teorias macrobióticas isso se deve ao maior equilíbrio entre o Ying/Yang.
Os seja, que pretende reduzir a ingestão de doces sem grandes sofrimentos deve, NECESSARIAMENTE, reduzir drasticamente a ingestão de sal e esse é sexto passo da dieta ecológica.
 

Por: Gladis Franck da Cunha

Desenvolvendo a atenção ao comer

Comer devagar dá tempo ao cérebro para processar os impulsos de saciedade, ao contrário, comer sofregamente pode significar a ingestão exagerada de calorias, porque o alarme da satisfação chegará tarde demais.


Já ressaltei o quanto comer sem culpa é fundamental! Quando eu passei a utilizar os produtos integrais também tive que modificar os hábitos alimentares, pois este tipo de alimento necessita ser mais mastigado antes de ser engolido. Com isso, a velocidade das refeições aumentou e os sensores do estômago puderam enviar os sinais de “satisfação” ao cérebro antes que estivesse muito cheio. Conseqüentemente, o tamanho do estômago foi se reduzindo às dimensões ideais ao meu corpo.
Quando enchemos muito o estômago, ele envia sinais “dolorosos” ao cérebro e tais sinais geram uma espécie de culpa fisiológica, que por sua vez contribui para a perigosíssima culpa psicológica. Para não cairmos neste círculo vicioso, nós precisamos dar o tempo certo ao estômago e este será nosso passo cinco, que envolve o comer com atenção total.

PASSO CINCO: Comendo com atenção total! Precisamos desenvolver nossa concentração em tudo, sempre são malfeitas coisas diferentes, se elas forem realizadas simultaneamente. Quando comemos ao mesmo tempo em que estamos absortos em outras atividades, nós comemos demais alimentos muito calóricos e com baixo valor nutritivo. Esta é uma das principais causas da obesidade! Portanto, se queremos o equilíbrio ecológico do nosso ecossistema corpo, nós deveremos comer com total atenção, mastigando devagar e saboreando os alimentos. Com esta técnica, mesmo quando devemos comer alimentos muito calóricos como doces e salgados em alguma festa, não comeremos em demasia, mantendo a dieta ecológica.

Não nos furtarmos de comer em festas é essencial para não gerarmos uma frustração que poderá desencadear uma excessiva fome psicológica em situações de ansiedade. Além disso, quando sentimos muita vontade de comer doce, o ideal é atender essa necessidade, porém, nós devemos nos concentrar, mastigando devagar e saboreando os alimentos, assim nosso corpo nos “avisará” quando estiver satisfeito e não comeremos além da medida.
Concluindo: quando estamos assistindo coisas que nos interessam na televisão, no cinema, num jogo ou outro evento qualquer, não devemos comer. Nestas situações podemos, no máximo, tomar água sem gás. Podemos comer nos intervalos ou antes destes momentos, nunca durante. Somente assim o ato de comer adquirirá sua medida certa, nosso estômago diminuirá e nos sentiremos mais satisfeitos.

Por: Gladis Franck da Cunha

20 Outubro, 2007

Da espineta ao cravo

A necessidade de maiores graus de expressividade demandou aos lutiers a construção de instrumentos que satisfizessem às necessidades de dinâmica e volume, fator determinante da decadência do cravo como instrumento solista a partir do exaurimento composicional perpetrado pelos gênios barrocos.

Instrumentos que deram vida ao barroco e à música de Bach

A espineta foi criada em 1503, por um italiano chamado Giovanni Spinnetti. Produzia um som pouco mais forte que o do c1avicórdio e, por isso mesmo, tomou-se um instrumento bastante popular em sua época. Além do mais, podia ser fabricada em diferentes tamanhos, e as pequenas, portáteis, facilitaram a sua difusão. Colocada em cima de uma mesa, a espineta soava ainda mais forte. Tinha, entretanto, uma limitação bastante evidente: não permitia variações na totalidade de suas notas, mal se podia obter acordes, e a música era sempre executada no mesmo volume. Ou seja: todos os instrumentistas tocavam de uma maneira muito parecida. Emitia um som metálico, seco, limitado.

19 Outubro, 2007

Profissão: falso político!

O público confunde apaticamente os personagens dos escândalos políticos, percebendo como políticos todas as figuras que aparecem na TV, até um grande publicitário, cujo maior feito foi ter produzido o ganhador da corrida presidencial de 2002.

Estava eu fazendo supervisão de um grupo de estagiárias em uma Escola de Ensino fundamental, numa turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA), quando, durante um momento em que os alunos faziam um exercício, comecei a passear os olhos pelos cartazes expostos nas paredes da sala e me deparei com um cartaz sobre profissões.

Era um cartaz feito com colagens em um papel pardo com cerca de 80 cm de largura e mais de 1 m de comprimento. Comecei a analisar o cartaz e vi que a primeira profissão arrolada era a de “Político”, que estava escrita sob a foto de, pasmem, DUDA MENDONÇA.

Esta era a primeira vez que eu visitava tal Escola e estava na sala havia uns 15 min quando vi esta “preciosidade”, então concluí que para as turmas e para os professores que usam a sala este fato não incomodava. Especialmente, não incomodou ao professor ou professora que havia conduzido a atividade dos alunos. Neste caso, atribuir ao Duda Mendonça a profissão de político, parece ser de senso comum.

Desse ponto de vista, nos deparamos com uma face oculta das CPIs, a “mistura homogênea” entre os “sabatinados” e os “sabatinadores”, ou seja, a tendência das pessoas colocarem como iguais tanto os “corruptos” que estão sob investigação quanto os “homens de bem” que estão realizando a investigação.


18 Outubro, 2007

A história do piano Erard

A história de Erard se confunde com a história do próprio piano. Algumas grandes inovações introduzidas no instrumento foram graças ao engenho de Sébastian Erard, tais como o mecanismo de escape duplo e os agrafes.

Piano Erard

Duas histórias que se confundem: a do piano e a de Sébastien Erard. A primeira é muito grande e complexa, logicamente fascinante, mas excessiva para a minha pena, pois me considero apenas um afinador amante de história. Basta dizer que depois que Cristofori o inventou no século XVII, o piano sofreu modificações importantes e o Erard, que é o meu tema central está imbricada com essa formidável tradição, assim como todos os pianos modernos.


Reduzindo a fome fisiológica

Não basta abandonar os moderadores, é preciso compreender as razões da fome de elefante, que passa pelo combate à subnutrição provocada pela ingesta de alimentos pobres em fibras e vitaminas


Após abandonar os moderadores de apetite temos a necessidade de diminuir a fome fisiológica. Para isto, comer sem culpa é fundamental! As pessoas sentem fomes de tamanhos diferentes tudo depende do contexto fisiológico de cada corpo e dos alimentos que ingerimos. 

Precisamos descobrir quais são as necessidades do nosso corpo e isto não é uma questão matemática, bem pode até ser mas não é algo que possa ser padronizado para toda a espécie humana, pois a capacidade de extrais a quantidade de nutrientes necessários para o organismo varia de indivíduo para indivíduo. Nem todos temos as mesmas enzimas em iguais quantidades e estas diferenças podem ser constatadas indiretamente através das preferências alimentares. 

17 Outubro, 2007

Piano: um século para chegar à forma atual

Desde a tosca estrutura inicial de caixão equilibrado em quatro pernas esculpidas, o piano passou por enormes transformações até chegar ao grande piano orquestral, como o rei das salas de concerto.

Piano do Wolfgang A. Mozart de  1780 até sua morte em 1791.

O piano demorou a se tomar um instrumento realmente popular entre compositores e intérpretes. Para que se tenha uma idéia, não há registro, na história da música, de um único grande pianista em 1750 - os destaques eram os organistas ou cravistas. O novo instrumento era, sim, o centro das atenções, mas sobretudo como curiosidade. Já existiam fabricantes da novidade, os modelos começavam a variar, mas faltavam compradores. Os principais produtores daquela engenhoca experimental estavam na Alemanha ou na Inglaterra. Os entusiastas diziam notar diferenças entre os instrumentos provenientes dos dois países.


Ecologia ou Pilulas

Redescobrir a beleza pessoal além da formatação imposta pelo mercado, requer uma nova atitude ante às pressões cada vez maiores da estilização corporal.

De Blogpaedia

Voltemos a falar sobre a ecologia do corpo, que parte de um ponto de vista sistêmico, em que o organismo é considerado em seu conjunto e em funcionamento, como um ecossistema móvel a que devem ser aplicados os conceitos sobre equilíbrio e remediação de ecossistemas.

Discuti anteriormente que o “PASSO UM” da dieta ecológica consiste na redescoberta da beleza, fugindo de modelos padronizados e explorando a beleza pessoal e individual. Lembro muito bem de uma ex-colega de trabalho, quando trabalhei no Banco do Brasil, que era gordinha mas encantadora, usava umas roupas muito interessantes e coloridas, ela era uma daquelas pessoas para quem gostávamos de olhar. Porém, nos últimos tempos em que convivemos, ela havia começado uma dieta e perdido vários quilos, com eles perdera também grande parte de sua beleza, o rosto perdera o viço e os olhos a alegria, as roupas se tornaram mais sóbrias e ela já passava mais desapercebida. Não sei no que redundou o processo, porque eu me transferi de agência e perdi contato com ela, mas nunca mais me esqueci desse fato, que foi uma prova viva de que a magreza e a beleza não são, necessariamente, sinônimos. A beleza é o resultado de um estado de PAZ entre a mente e o corpo, que deve acompanhar os processos de modificação que se dão ao longo do tempo. Não quero defender aqui a idéia de que as pessoas obesas devem permanecer assim, pelo contrário minha busca é pela saúde, pelo equilíbrio, mas tanto a saúde quanto o equilíbrio de um ecossistema se relacionam a mudanças graduais e contínuas e não a processos rápidos e radicais. Estes processos estão mais relacionados a outros desequilíbrios, talvez até mais graves, que no caso dos obesos tendem a levá-los aos estados mais agravados da doença.

16 Outubro, 2007

O ecossistema do corpo

A busca incessante do enquadramento nos modelos industriais de beleza em nada tem a ver com saúde, porque afronta a constituição biológica de cada um.

William Etty-King of Lydia Shows his Wife


Uma das atuais epidemias na Terra é a obesidade. Até mesmo no Brasil que é um país pobre e possui um imenso contingente de miseráveis a obesidade adquire configuração epidêmica. No rebote dessa doença surgem os inúmeros paliativos de dietas, medicamentos e cirurgias plásticas dos mais variados feitios.

15 Outubro, 2007

Piano, maneira de aprender a vida inteira

O início da aprendizagem de piano para os adultos apresenta dificuldades adicionais que não são grandes para as crianças. No entanto, segundo a concepção de que viver é aprender, continuar aprendendo a vida inteira é a única maneira de reciclar permanentemente o presente

Depoimento da Gladis
"O que é que eu estou fazendo aqui? Por que eu me meto em tantas encrencas? "
Estas são perguntas que me assaltam sempre que estou sentada, esperando a minha vez de tocar nas audições de piano.
Minha professora é muito ativa e sempre encontra ou cria oportunidades para nos apresentarmos em público. Aliada com outras duas professoras de Bento Gonçalves (RS), que também são filiadas ao Instituto Verdi, organiza, a cada semestre, uma audição na Casa das Artes para alunos das escolas públicas da cidade. E lá vou eu dizendo sim, posso me apresentar, se for no horário “xis” do dia “ypsilon”. Daí toca ensaiar uma peça, além de todos os exercícios do programa de estudos.

14 Outubro, 2007

Clavicórdio, o pai do Piano

O instrumento derivado do monocórdio grego foi se transformando até chegar a encarnar o espírito máximo do período barroco, com seus sons cristalinos marcou o acompanhamento "obligato" da música orquestral daqueles tempos.


O parente mais direto do piano é o clavicórdio. Uma espécie de pai do piano que conhecemos hoje, o clavicórdio vem de uma família que foi evoluindo aos poucos. O fundador da família foi o monocórdio, utilizado por Pitágoras - isso mesmo, o matemático da tabuada - no ano de 582 a.C Isso quer dizer, mais ou menos, que a família do piano é bastante antiga: tem quase 2.500 anos. Quer dizer também que, no começo, a família não sabia ao certo onde iria parar. Tanto assim que, durante muitíssimos anos, violão, guitarra e clavicórdio eram parentes bastante próximos.

Dançarinos do Genoma

Os elementos de transposição têm a capacidade de se inserir no DNA como "estranhos no ninho", podendo se transferir de um local a outro. Sua movimentação pode afetar a organização vital e produzir mudanças, do mesmo modo que os educadores devem desencadear a transformação dos educandos.
Bárbara McClintock

A teoria piagetiana permite uma utilização de informações obtidas pela Biologia no sentido de compreendermos mais profundamente os processos cognitivos, cujo desenvolvimento se apresenta como um caso particular dos processos gerais observados na organização
vital.

Uma fonte de variabilidade, encontrada no genoma de todos os seres vivos são os elementos de transposição ou transposons, que se inserem no genoma e podem se transferir de um local a outro. Os movimentos dos elementos de transposição ou transposons dependem da manutenção de sua autonomia, a qual está relacionada com a codificação de proteínas específicas denominadas transposases e que são responsáveis pela sua mobilização.

13 Outubro, 2007

Prática sobre porcentagem de germinação

Muitos dos nossos principais alimentos vêm a partir da semente de plantas como trigo, arroz, milho, aveia, centeio. Como muitas dessas sementes são importantes na alimentação existem leis que regulam sua qualidade. Esta qualidade é avaliada a partir de amostras dos lotes em laboratórios de análises, que determinam a pureza do lote, ou seja, se o lote contem 1% de outras sementes, além do permitido na legislação. O laboratório, testa, também, a porcentagem de germinação. Se esta é muito baixa o lote é inviabilizado para o comércio. A quantidade de sementes a ser usada pelo agricultor deverá ser calculada baseada na porcentagem de germinação. Se o lote contém 50% de germinação, o agricultor deve semear cerca de duas vezes mais o número de sementes para projetar uma germinação de 100%.

A porcentagem de germinação informa a quantidade de sementes que irão germinar.
No processo de semeadura é importante saber quantas sementes, em cada 100, germinarão se forem dadas as condições apropriadas de água, oxigênio, temperatura e luz.

Este experimento é relativamente fácil, pois as sementes, geralmente, podem germinar em papel filtro umedecido sobre uma placa de petri. Com esta metodologia você irá aprender como medir a porcentagem de germinação de várias sementes. Irá, também, verificar se a porcentagem de germinação corresponde à informação inicial contida no pacote.

Objetivo Geral:
  • Através da realização de práticas são incentivadas as vivências solidárias, participativas e cooperativas, que proporcionam condições para o desenvolvimento de indivíduos responsáveis e capazes de respeitar o conhecimento produzido pelos outros.
Objetivo Específico:
  • Determinar a porcentagem de germinação de diversos tipos de sementes.

Materiais:
- Placas plásticas de petri ou potes de plástico transparente do tipo usado para doces (Figura 12)
- Papel filtro em círculos do tamanho da placa de petri ou do fundo do pote.
- Água
- Embalagens de vários tipos de sementes de flores e vegetais
- Pinça

Procedimentos:
1) Coloque o papel filtro circular sobre cada placa de petri e sature o mesmo com água. A saturação do papel é obtida quando ele fica totalmente úmido, sem partes secas, ou excesso de água.

2) Para cada tipo de vegetal, coloque 20 sementes sobre o papel filtro na placa de petri. Use a pinça para as sementes pequenas. Para sementes grandes você poderá necessitar 2 ou 3 placas de petri para dispor as 20 sementes. Feche cada uma das placas após a adição de todas as sementes. Caso esteja utilizando o pote, coloque as sementes entre o papel toalha umedecido e a parede do pote. Utilize o filme plástico para vedar (Figura abaixo)

De Diversae
A- Placa de Petri; B- pote transparente com sementes colocadas entre o papel e a parede do pote
3) Rotule cada placa ou pote com o nome da espécie, data e nome do pesquisador ou grupo.

4) Se possível coloque as placas ou potes em um ambiente aquecido a uma temperatura em torno de 25 ºC.

5) Verifique todos os dias se o papel filtro continua saturado, caso contrário coloque um pouco de água de maneira a saturá-lo novamente.

6) A cada dia conte o número de sementes germinadas. Considere uma semente germinada quando a radícula emergiu aproximadamente 1 cm a partir da semente.

7) Retire as sementes germinadas e anote o número observado em cada contagem.

8) Pare o experimento quando não houver mais sementes germinadas por 4 dias consecutivos.

9) Multiplique o número de sementes germinadas por 5, pois você iniciou com 20 sementes. Se todas as 20 sementes germinarem, a porcentagem de germinação é igual a 100%, ou seja, 20 x 5.

10) Faça o gráfico da germinação pelo tempo em dias. A contagem da quantidade de sementes germinadas deverá ser cumulativa, ou seja, se no primeiro dia germinaram três e no segundo dia de contagem havia mais duas sementes germinadas o valor para o segundo dia será 5 e assim, sucessivamente.

Resultados esperados: A porcentagem de germinação será freqüentemente mais baixa do que a escrita na embalagem e geralmente será diferente entre os diversos tipos de sementes. Por quê?


Questões desafiadoras: Através de novos experimentos responda as questões abaixo.
1) Como a temperatura de armazenamento afeta a porcentagem de germinação? Experimente armazenar lotes de sementes em embalagens plásticas completamente vedadas em diferentes condições de temperatura como a ambiente (~21ºC); a refrigerada (~ 4ºC, no refrigerador) e a congelada (~-18ºC, no freezer). Após dois meses de armazenamento nestas condições, determine a porcentagem de germinação, utilizando todos os procedimentos já descritos nesta prática.

2) A temperatura afeta a porcentagem de germinação? Coloque as placas de petri para germinarem a temperatura ambiente, no refrigerador e no freezer.

3) A adição de fertilizante aumenta a porcentagem de germinação? Adicione uma solução fertilizante (Solução de Hoagland modificada) ao invés de água ao papel filtro na placa de petri. 4)

Referência:
DORNELES, Liane T. & CUNHA, Gladis F. BIOLOGIA VEGETAL: manual de práticas escolares, Caxias do Sul, EDUCS, 2005.

Mais detalhes sobre o livro: Ele foi elaborado com o objetivo de instrumentalizar os professores para utilização de atividades práticas, que contribuam para a construção do conhecimento e tornem o ensino de ciências mais construtivo e agradável. Partindo do princípio que a educação em ciências não pode se resumir ao recebimento de informações acabadas, ele apresenta atividades que possibilitam a descoberta pessoal.
As metodologias sugeridas nele empregam um conjunto de estratégias para produção do conhecimento, que levam em conta a teoria e a prática necessárias ao desenvolvimento mental do ser humano e desenvolvem algumas habilidades ou capacidades especiais tais como: observação, organização, descrição, investigação, busca de informações e análise crítica.

Fonte da primeira ilustração: Portal Objetivo

Solstícios e equinócios

Um fenômeno natural que pode passar desapercebido, se não houver o questionamento necessário: o ângulo de 23 graus do eixo de inclinação da terra torna possível a passagem das estações do ano

O fenômeno da recorrência das estações do ano têm intrigado gerações de curiosos acerca de coisas que vão além do cotidiano. Infelizmente pouca gente sabe como se dão e como é explicável cientificamente o maravilhoso equilíbrio geotérmico da terra, onde simultaneamente temos inverno num hemisfério e verão no outro.

A interessante estória que nos foi passada a respeito das inquietações de um aluno e a falta de informações da professora que dessem conta das perguntas, torna claro a fragilidade do processo formativo de professores e a falta de interesse que esses profissionais manifestam na busca do conhecimento. A explicação dada, relacionando as estações ao distanciamento da terra em relação ao sol está em parte certa, em parte errada e totalmente insatisfatória.

É certa quando admitimos que a única maneira de resfriar ou esquentar uma determinada região do planeta é aumentando ou diminuindo a incidência de raios solares, ou seja; alterando seu distanciamento em relação ao sol, já que a característica principal de um planeta é não possuir fonte própria de energia. É sabido que o simples distanciamento ocasionaria maior temperatura ou menor em TODA a terra e somente num hemisfério, enquanto o outro estaria sob o frio do inverno.


Toda esta questão somente pode ser resolvida encarando-se as coisas sob o ponto de vista geométrico. A terra orbita ao redor do sol num caminho que se chama translação e pegando-se esta trajetória, podemos imaginar um plano, o plano de órbita. Pois bem, o ângulo que ela mantém em relação a este plano de órbita é de 23,5 graus, que se mantém inalterado durante seu giro ao redor do sol.

Graças a esta inclinação, torna-se possível que uma parte da terra esteja recebendo maior incidência de raios solares, enquanto a outra recebe bem menos.
Empiricamente isto pode ser comprovado no momento em que observamos que o “caminho” do sol altera-se durante o docorrer do ano, estando mais ao norte no inverno e, no verâo ele se posiciona em cima das nossas cabeças.

Equinócio

 
No seu movimento de translação ao redor do sol, há dois momentos no ano em que o ângulo de inclinação da terra em relação ao sol é zero, entre os meses de março/abril e setembro/outubro. Durante os os meses antecedentes e precedentes aos equinócios, nos dois hemisférios há a predominância de climas temperados representados pelas estações outono e primavera nos hemisférios opostos.
Equinócio tem sua raíz do latim, que significa igualdade, ou seja, neste dia a duração do dia e da noite são exatamente iguais: 12 horas.
Nosso equinócio de outono acontece dia 21 de março e o de primavera no dia 21 de setembro.

Solstício

 
Solstício vem do latim, significa “sol que permanece parado”. Ou seja, na sua incursão pelo céu, o sol, em dois momentos do ano durante o seu afastamento ou aproximação, “para” a sua trajetória e retorna para o caminho anterior. Um exemplo bem próximo de nós pode ser observado neste mês de junho. Temos observado o sol se afastando cada vez mais para o norte desde o mês de maio. No entanto, no dia 21 de junho haverá o nosso solstício de inverno, quando o sol chegará ao fim do seu caminho rumo ao norte, parará durante um dia, e recomeçará a se aproximar de nós. Simultaneamente ao nosso solstício de inverno estará acontecendo o solstício de verão no hemisfério norte.

O solstício de verão, no hemisfério sul, ocorre no dia 21 de dezembro. Neste dia há o maior dia do ano, assim como, no hemisfério norte este é o solstício de inverno, onde ocorre o menor dia do ano.

A mitologia do equinócio primaveril
A entrada da primavera foi celebrada desde o começo da história. Ela marca o fim do inverno quando a terra dorme e inicia o tempo de primavera quando tudo parece renascer. A primavera chega quando o sol está incidindo diretamente sobre o equador. No norte do planeta, o primeiro dia da primavera é aproximadamente 21 de março. Este é o dia do equinócio primaveril. Equinócio significa noite igual. Noite e dia têm a mesma duração, cada um durando exatamente 12 horas neste dia. Antigamente, antes da celebração da páscoa, as pessoas relacionavam a primavera com o retorno da vida a terra. O retorno da primavera nos tempos antigos tinha mais significado do que atualmente, onde ninguém mais se preocupa com o fim das reservas de provisões de comida armazenadas para o inverno e nem se preocupam tanto em se manterem quentes graças à tecnologia moderna da calefação.

Os povos antigos acreditavam que cada estação era governada por uma certa divindade. Havia uma deusa chamado Eostre, a deusa da primavera, que era adorada em áreas do norte e no centro da Europa. Acredita-se que seu nome tenha dado origem à palavra que determina a direção do nascer do sol - Leste. Nestas regiões, festivais em agradecimento a Eostre eram feitos, onde eram oferecidos a deusa bolos semelhantes a bagas de pães.

Os gregos antigos criaram uma estória para explicar a mudaça das estações. Demeter era a deusa da terra e da agricultra e Persehone, sua linda filha. Um dia a terra foi rasgada e Hades, o rei do mundo subterrâneo, sequestrou Persehphone para torná-la sua noiva. Deemeter ficou tão triste diante do desaparecimento que parou todo seu trabalho e todas as plantas da terra morreram. Ela então descobriu o quê havia acontecido a sua filha e foi a Zeus, rei dos deuses, para reclamar o seu retorno.


Persephone recusava comer qualquer coisa no mundo subterrâneo por que sabia que uma vez que comesse qualquer coisa sua alma permaneceria lá eternamente. Contudo, Hades enganou-a dizendo que se comesse sementes estaria segura e ela comeu uma. Zeus, conhecendo o quê havia sucedido, ordenou que Persephone deveria retornar a sua mãe e a cada primavera para ali permanecer durante seis meses. Os outros seis meses do ano ela passaria com Hades, assim sua mãe fica triste e nada cresce no inverno.


Algumas tribos antigas acreditavam que as coisas encontradas na natureza, tais como a água, montanhas e árvores, tinham seus próprios espíritos. Acreditavam que os festivais de maio despertavam as árvores. Os Druidas, religiosos pré-cristãos, encontrados principamente na Grã-Bretanha e França, pensavam que as árvores, e especialmente os carvalhos, eram objetos sagrados. Os druidas rezavam às árvores para obter tempo bom, chuva e fertilidade da terra.

Os Celtas da Grã-Bretanha nos tempos antigos também tinha uma celebração num dia de maio. Eles acreditavam que o deus sol havia sido aprisionado todo inverno pelos espíritos demoníacos do frio e da escuridão. Cada ano perto do primeiro dia de maio o deus escapava e trazia a luz do sol e o aquecimento de volta a terra. Para ajudar a fuga do sol, os celtas acendiam fogueiras gigantescas nas montanhas mais altas das suas vilas. Eles faziam isso para espantar os demônios para longe e forçá-los a libertarem o sol. Em muitos lugares atualmente, tradições tais como as grandes fogueiras e candelebros ardentes fazem parte do folclore da primavera.

A primavera é a estação da renovação, quando as flores explodem, quando todas as plantas se tornam verdes e crescem e as pessoas sentem uma energia renovadora em si mesmas. Começam a vestir roupas mais coloridas para combinar com o ambiente. Porém o quê verdadeiramente é responsável por tais mudanças? No inverno, um influxo de energia de Cristo começa a brotar do centro da terra com o propósito de recarregar a terra para a nova estação. Na primavera esta energia vem a superfície do planeta ocasinando imensas mudanças, simultaneamente visíveis e invisíveis ao olho.

A primavera acontece em dois níveis. Fisicamente as pessoas se descartam de coisas que julgam não serem mais úteis. Espiritualmente, descarregam energias, idéias e representações das suas auras. A mudança de estação proporciona-nos oportunidade de refletir e também fazer mudanças. Lembras das suas resoluções de ano novo?
Entendendo os ciclos planetários, você pode tornar a sua vida mais fácil, assim como o fazendeiro conhece os momentos propícios da semeadura e da colheita. Há mais luminosidade e calor na primavera do que no inverno, não obstante a energia de Cristo ou a “Luz do Filho” está sempre brilhando. O tempo de primavera é uma oportunidade de ouro dada pelo Supremo Ser para que possamos reconhecê-lo por nós mesmos.

Fonte referencial: Copyright © 1996. Sterling Rose Press, Inc. Sterling Rose Press, Inc., P. O. Box 14341, Berkeley, CA 94712. USA.
A mitologia do equinócio primaveril do original em inglês de Robin DuMolin

palavras-chave: eixo da terra, grau de inclinação, equilíbrio geotérmico, solstício, equinócio, mitologia.

O professor e os juízos sintéticos e analíticos


A ação em sala de aula implica no uso de dois tipos de atividades mentais que em filosofia são chamadas de juízos. Preponderantemente no processo normal de exposições teóricas há a manipulação de juízos analíticos, e quando se instala o doloroso clímax da avaliação, a capacidade sintética é posta à prova. Para o professor, um sujeito em que a entronização do movimento sintético/analítico é um fato consumado, a síntese redentora da avaliação final é uma decorrência perfeitamente lógica.

Apesar do exercício cotidiano dos juízos, o professor pode não ter as definições teóricas que o auxiliariam a desenvolver de maneira menos instintiva as abordagens teóricas, o que possibilitaria um maior equilíbrio na sua aplicação, numa forma de evitar a brusca irrupção dos fantasmas das avaliações nas pobres mentes dos alunos, “treinadas” analiticamente ao longo do tempo.

A percepção do "tempo natural"

De Blogpaedia
A necessidade de compreender as questões ambientais é amplamente reconhecida, pois estamos vivendo uma condição de acelerado aquecimento global sem outro registro igual na história da nossa civilização. Assim, o entendimento e a mudança de atitudes são requisitos básicos para a construção de uma vida mais digna. Mas, para a apropriação deste conhecimento é preciso que as pessoas aprendam a observar e interpretar os fenômenos naturais.

Nesta perspectiva, o ensino de ciências, que se destina a formar cidadãos com informações suficientes para acompanhar de forma crítica o impacto das novas tecnologias, não se resume ao recebimento de informações acabadas. Ele requer a perspectiva da descoberta pessoal, através de situações pedagógicas que viabilizem vivências construtivas, ou seja, que possibilitem o envolvimento pessoal de cada educando na descoberta do mundo.As metodologias envolvidas para esta finalidade devem empregar um conjunto de estratégias, tais como: observação, organização, descrição, investigação e análise crítica, como ocorre através de práticas investigativas.

Combatendo uma Cultura de Corpos semi-imóveis

A tradição de confinamento dos corpos infantis à imobilização em espaços restritos não condiz com as aquisições das ciências da cognição.
Várias Brincadeiras II de Ivan Cruz, 2006

Os espaços urbanos da atualidade se caracterizam pela redução das possibilidades de jogos e brincadeiras movimentadas e de corpo inteiro.A Escola brasileira também tem se caracterizado pela redução do tempo livre de intervalo com brincadeiras fisicamente criativas, se preocupando mais com o acréscimo de conteúdos programáticos nas diferentes áreas, os quais, em geral, são “ministrados” a crianças e adolescentes “aquietados” por horas seguidas.A proposição de ampliar o Ensino Fundamental, antecipando a obrigatoriedade da educação para os seis anos de idade, pode agravar ainda mais este quadro. Este aprisionamento do corpo infantil está na contramão da história de evolução biológica humana, que registra o maior aumento do encéfalo aos períodos de maior atividade física para a sobrevivência (Calvin,1994).

Desde o nível molecular ao dos organismos o limite entre vida e não vida se relaciona com interação e não-interação, logo a vida é, essencialmente, interação tanto na sua origem quanto na sua evolução. Esta é a lógica comum que pode reunir todos os seres vivos de bactérias a mamíferos.Basicamente, herdamos um organismo com a capacidade e a necessidade de interagir, estabelecendo trocas com o ambiente e podendo ser modificado por estas trocas. Todos os organismos escolhem assim como transformam o meio através de seu comportamento. Por seu turno, ao ser modificado, o meio passa a exercer diferentes pressões seletivas sobre os organismos, algumas das quais podem redundar em mudanças evolutivas.

A grande expansão do cérebro humano em relação aos outros primatas não começou antes da idade do gelo há 2,5 milhões de anos, quando florestas inteiras desapareceram. A adaptação dos hominídeos durante este período de abruptas alterações climáticas permitiu um acúmulo de habilidades mentais capazes de conferir uma flexibilidade comportamental. Uma das aquisições atribuída a este período foi a capacidade para a linguagem humana (Calvin, 1994). Estas informações sugerem que nossa inteligência foi aprimorada numa situação de estresse ambiental, que exigia ações mais efetivas para garantir a sobrevivência dos indivíduos. A partir desse período, nosso cérebro aumentou e criou suporte físico para o desenvolvimento da linguagem.

A sobrevivência sempre depende da possibilidade de resolver questões impostas pelo ambiente. Porém, ao considerarmos que nos seres vivos a integridade das estruturas orgânicas depende da função, compreendemos que tais questões ambientais também se constituem em necessidades.Outro aspecto relevante a considerar é o fato de no Reino animal, como um todo, o desenvolvimento do sistema nervoso estar intimamente ligado aos processos de coordenação motora. Sabendo o quanto o cérebro é importante para a inteligência depreende-se o quanto o movimento contribui para seus processos.Embora a inteligência não possa ser reduzida apenas aos seus constituintes biológicos, estes não devem ser relegados, pois são condição necessária, embora não suficiente, para o conhecimento e comportamento humanos.

A partir dessas considerações devemos nos perguntar: Quais os riscos da crescente imobilidade do corpo para educação? Como estas circunstâncias afetarão a capacidade de aprender nos sujeitos da educação Básica? Que conseqüências isto pode acarretar ao desenvolvimento da inteligência?Estas são perguntas necessárias para que a Escola mude sua cultura em relação ao corpo dos educandos, compreendendo a necessidade de implementar maior movimento às suas metodologias de trabalho. Para tanto é necessário compreender e investigar mais os efeitos dos movimentos corporais na inteligência humana.Nesse sentido, uma proposta de trabalho que merece atenção é a de dança criativa proposta por Wiener e Lidstone (1969), que busca estabelecer uma relação entre os movimentos e a criação própria. Não se tratando, portanto, da execução pura e simples de movimentos definidos e previamente estipulados por um adulto, mas a criação de um contexto desafiador que permita aos educandos expressarem-se com o corpo inteiro, descobrindo-se e revelando sua própria leitura de mundo.

Por: Gladis Franck da Cunha


Referências Bibliográficas:
CALVIN, William H. The emergence of Intelligence. Scientific American New York, v.271, n.4 p.79-85, Oct.,
CRUZ, Ivan. Várias Brincadeiras II. 2006.  Brincadeiras de Criança. (site oficial do artista)
WIENER, Jack ; LIDSTONE, John. Creative Movement for Children : a dance program for the classroom. New York : Reinhold Book Corporation, 1969

Jogos Infantis e o Desenvolvimento Cerebral


A transformação dos educandos em sujeitos que constroem saberes requer ambientes pedagógicos que possibilitem a análise crítica, o debate coletivo, a elaboração de hipóteses de trabalho e a curiosidade. O modelo interacionista constitui-se numa maneira de ver a educação, bem como numa busca de novos patamares interpretativos necessários para reavaliar o fazer pedagógico com o objetivo de transformar o ato de educar. Nesse sentido, os conhecimentos sobre o funcionamento cerebral, bem como de desenvolvimento de redes neurais podem abrir um campo de possibilidades e aplicações práticas na área pedagógica, contribuindo para elaboração de metodologias afinadas com os processos de construção do conhecimento.

Os textos sobre o cérebro sempre enfatizam sua complexidade, porém por mais que o possamos explicar e compreender, isto não bastará para a compreensão de todo o ser humano. Não podemos ser reduzidos ao organismo biológico e ele é mais do que um cérebro. O objetivo deste texto não será o de reduzir o ser humano aos seus aspectos biológicos, mas sim refletir sobre as bases biológicas da inteligência, especialmente sobre alguns aspectos do desenvolvimento e funcionamento cerebrais para um melhor aproveitamento de suas possibilidades, na construção do conhecimento. Construímos conhecimentos e nos desenvolvemos inseridos em um contexto complexo que possui componentes biológicos, psicológicos e sociológicos. Somos sempre o resultado de uma interação entre estes três elementos.

12 Outubro, 2007

Preservação X transmissão horizontal de informação genética

A fim de que fosse preservada a individualidade das diferentes espécies e os sistemas biológicos com sua complexidade estrutural e funcional, a vida se estruturou mantendo genes altamente conservados. Tais genes altamente conservados, paradoxalmente, mantêm aparentados os diferentes seres vivos. Com isso, fechou-se e, ao mesmo tempo, abriu-se uma importante janela para a variabilidade e as trocas com o meio, uma vez que se ampliou a rota natural de transmissão vertical da informação genética dos pais aos descendentes, através da reprodução sexual limitada aos indivíduos de uma mesma espécie, com a possibilidade da transmissão horizontal de DNA entre organismos não relacionados, incluindo outras espécies ou mesmo reinos diferentes.

11 Outubro, 2007

Variabilidade versus preservação no desenvolvimento embriológico

A descoberta de que o mesmo eixo corporal de mamíferos e moscas pode ser explicado pelo mesmo conjunto de genes, equivale a uma revolução copernicana na biologia.

Christiane Nüsslein-Volhard
O desenvolvimento embriológico dos eucariontes envolve uma multiplicidade de processos de regulação gênica, que, de forma geral, diferem daquela que ocorre nos procariontes essencialmente por sua maior complexidade. O entendimento sobre as relações entre a informação genética e os eventos embriológicos é uma das mais antigas e fundamentais questões da biologia: 

1- Como pode uma única célula dar origem a um ser multicelular extremamente complexo? 

2- Especificando a questão para o caso humano se pode questionar: Como submetido aos ambientes tão diferenciados e possuidor de culturas ainda mais diferenciadas pode o ser humano continuar uma única espécie?

Homeostase e homeorrese


A adaptação vital se caracteriza por uma permanente busca de equilíbrio entre as necessidades paradoxais de variar ao mesmo tempo em que se preserva a continuidade do sistema, de forma que os organismos precisam estar abertos e, ao mesmo tempo, fechados para o meio, isto é interagir.
Uma característica dos sistemas biológicos é sua capacidade de autopreservação, de forma que, embora abertos, não perdem sua individualidade ou identidade.


As mudanças ambientais desafiam os organismos a mudarem, contudo, para tornar possível a manutenção das diferentes espécies ao longo do tempo a informação genética precisou preservar a dualidade entre ordem e caos, ou entre o fixo e o variável. Se é preciso ter a capacidade de mudar em função do meio, por outro lado é necessário preservar-se apesar dessa mudança.


A grande dificuldade em relação à compreensão dos aspectos biológicos do desenvolvimento é ter presente, simultaneamente, todos os processos envolvidos num sistema dinâmico, que, ao mesmo tempo se transforma e se conserva.

Homeostase e homeorrese na relação genoma/meio



Piaget identifica dois tipos básicos de reequilíbrios que decorrem dos processos de interação entre organismo e meio: a homeostase e a homeorrese, que estão presentes em todos os níveis da organização vital e encontram paralelos no desenvolvimento cognitivo. A homeostase caracteriza a “permanência”, incluindo as regulações necessárias à manutenção do sistema em interação com um meio relativamente estável. A homeorrese representa a “transformação”, ou um equilíbrio dinâmico decorrente de novas contingências impostas por alterações acentuadas do meio, as quais produzem desequilíbrios tais, que somente uma reconstrução ou reestruturação podem reequilibrar.

10 Outubro, 2007

Evolução como um processo construtivo


Pensar em processo e em construção significa aceitar imperfeições, confusões, imprecisões, tentativas, redundâncias e neutralidade. Também significa correções, organizações, acertos, simplificações, definições. Além disso envolve agentes causadores, ou seja, os construtores. Pensar a evolução como um processo construtivo envolve tudo isto. Nesse contexto, ela significa transformação e requer agentes além de material sobre o qual eles possam agir. Ação essa, que resulta das relações entre as forças internas (do organismo) e as forças externas ou pressões seletivas (do meio). Já o material sobre o qual ocorre a ação se substancializa como as estruturas orgânicas, entre as quais está a própria molécula de DNA, que contém a informação genética.

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