05 novembro, 2007

A Indústria do Piano

A indústria do piano sofreu reveses em todo o mundo com a diminuição dos cursos de música e a entrada no mercado das imitações digitais de piano acústico. Mas por mais avanços que se faça na indústria eletrônica, os sons digitais são apenas arremedos da plenitude auditiva que se obtém com os sons autênticos produzidos por cordas que vibram, ressoando entre si, criando uma infinita gama de minúsculos outros sons em frequências múltiplas chamadas harmônicos.



Construtores como Steinway se tomaram sinônimos do instrumento
Em 1859, havia no mundo 50 fábricas, que produziam 25 mil pianos. Em 1910, seu número havia subido para 200, e foram produzidos nada menos do que 350 mil instrumentos. Esse crescimento, que, aliás, não parou, é a mostra mais clara da popularidade do piano.
Os norte-americanos tomaram-se, desde a segunda metade do século passado, grandes fabricantes de bons pianos. Tanto assim que instalaram fábricas na Europa: Sébastien Erard estabeleceu uma sucursal em Londres e em 1880, a Steinway & Sons montou uma fábrica em Hamburgo. Os norte-americanos têm em seu próprio território um mercado gigantesco: as cidades com 100 mil habitantes compram mais instrumentos que muitos países latino americanos com milhões. A Austrália, com uma população que beira 10 milhões de pessoas, compra menos de 3 mil pianos por ano.
A Itália tem fábricas de piano desde 1830. A Alemanha, desde 1794. A Inglaterra, desde 1723. A França, desde 1779. A Suíça, desde 1830. A Rússia também começou cedo a fabricar pianos: há uma fábrica em São Petersburgo criada em 1810. Em Viena, outra surgiu em 1872.
O país com maior número de fábricas - a imensa maioria delas com mais de um século de vida - é também o que produz alguns dos melhores instrumentos: os Estados Unidos.

As marcas seculares estabeleceram o padrão de qualidade do piano
Ao longo da extensa história do piano, vários nomes se tomaram lendários, significando, sobretudo, qualidade indiscutível. Vários pianistas e compositores falam da tonalidade dos instrumentos referindo-se a marcas seculares, como Blüthner, Bõsendorfer ou Steinway como se fossem artistas primorosos. Cada país apresenta nomes de muitos inventores que contribuíram para aperfeiçoar o instrumento. A lista é infinita, mas vale a pena citar alguns. Há os italianos Guido di Arezzo, Giovanni Spinnetti e Bartolomeo Cristofori, os alemães Gottfried Silbermann, Johann Andreas Stein (cujos pianos arrancaram de Mozart a seguinte frase: "São superiores a todos os outros nos quais toquei".), Nannette Streicher – a mulher que construía os pianos favoritos de Beethoven - e Friederich Ehrbar, que na exposição internacional realizada em 1862, em Paris, e em 1867, em Londres, ganhou os primeiros prêmios em todas as categorias.
Outra dinastia famosa da Alemanha é a dos Ibach. Julius B1üthner também consagrou a farmlia como construtora de pianos de qualidade. Na Áustria, os nomes mais prestigiados são os de Ignaz Bõsendorfer e de seu filho Ludwig, construtores do piano favorito de Hans von Bülow. Na Inglaterra, país com forte tradição no ramo, vários nomes se consagraram: Jobo Hopkinson, Thomas Brinsmead e Jobo Broadwood. De todas as famílias, a mais prestigiada é norte-americana: os Steinway, que estão no ramo desde 1853.
Também os pianistas e compositores contribuíram, com sugestões ou exigências, para o aperfeiçoamento do piano. O instrumento precisou de mais de 200 anos para alcançar o nível de desenvolvimento apresentado na atualidade.

Breves considerações sobre a falência da Indústria do Piano Brasileira
No Brasil, quando o governo militar resolveu extinguir a educação musical nas escolas, decretou a lenta agonia da música e a falência das indústrias de instrumentos. Contrastando com a efevecência dos anos anteriores aos de chumbo, onde o ensino de música era obrigatório nas escolas, os dias de hoje são o resultado de um pseudo incentivo às áreas científicas e o que se vê é o desmantalamento do ensino público. O resultado do descaso foi a mudança do quadro de dezenas de anos atrás em que cada casa da classe média tinha um piano, onde as famílias consideravam necessário matricular seus filhos em aulas de música e canto, hoje o mercado musical se retraiu, decrescendo não obstante o aumento da população.
Ao invés das várias fábricas atuantes no país(Essenfelder, Schwartzman, Brasil, J.Hoelzl) há 40 ou 50 anos atrás, temos uma sobrevivente em São Paulo, a Piano Fatura Paulista, fabricante dos pianos Fritz Dobbert e talvez alguma outra de caráter familiar e artesanal, como por exemplo, uma fábrica em Blumenau, Santa Catarina, pequena e hermética, cujos donos nem aceitaram falar em representação com um afinador de Porto Alegre.

Com a concorrência dos eletrônicos, a vida do piano ficou ainda mais difícil. Isto porque uma família que quer dar um piano para os filhos chega numa loja genérica de instrumentos musicais pesquisando preços. E se depara com um piano digital de 7 oitavas, com móvel, pedais e tudo o que o piano deveria ter, e acaba gastando menos de 2000 reais pelo instrumento, ao invés de mais de 10000 reais por um piano vertical acústico novo. Porém tem um detalhe: o piano digital levado para casa é chinês e provavelmente se chama FENIX, ao contrário da ave mitológica que renasce das cinzas, este se torna cinzas rapidinho. Tem timbre horrível e o mecanismo do seu teclado já faz barulho na própria loja. Então menos de 2000 reais farão a diferença entre continuar aprendendo música ou não. Com um instrumento horrível em casa, a possibilidade de desistência dos estudos é muito grande, porque quando o teclado começar a ranger insuportavelmente e o timbre irritante do péssimo sampleamento das notas se torna insuportável aos ouvidos, o estudante para de se interessar por aquilo.

Contra a alegação das famílias de que piano acústico ocupa espaço e é cara a sua manutenção, tendo que pagar um afinador periodicamente, pode-se argumentar que o iniciante terá muito mais estímulos em aprender num instrumento acústico de timbres delicados, do que num digital que com tempo provoca intolerãncia sonora à sensibilidade, impedindo o estudo. Aí a compra incialmente vantajosa acaba se revelando desastrosa, porque ficam com um trambolho invendável em casa, suscetível de estragar como qualquer aparato eletrônico que não é usado - as suas placas se oxidam com a umidade e o desuso.

Por: Isaias Malta

Ilustração: Gluck Pianos

21 comentários:

  1. Sérgio Carrilho6/5/08

    a decadência musical não atinge só o Brasil... basta ver o que a MTV empurra para os jovens. É engraçado ver o sucateamento do ensino decaindo desde a reforma que jogou o método tradicional francês pela janela e o sucateamento das faculdades públicas. O conhecimento ainda tenta sobreviver como os peixes da lagoa rodrigo de freitas.

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  2. Anônimo21/8/08

    Falar de piano sem citar os C. Bechstein e uma heresia. Sem perdão. Mario

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  3. Bem lembrado sobre os Bechstein. É algo que deve ser corrigido em um próximo post.

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  4. Anônimo22/3/10

    Excelente artigo. E eu estava pensando em comprar um piano eletrônico chinês, mas acho que vou desistir.

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  5. Anônimo23/7/10

    Boa Tarde,

    Gostaria de marcas de Piano de Calda para comprar, independente de preços.

    Agradeço se responder no meu email : sarianesarriane@hotmail.com

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  6. olá,
    retornei o estudo em piano depois de muitos anos, e agora procuro um piano usado em boas condições pra comprar.
    aqui em recife tem um local que é qualificado, ´pianos chateau´, eles ate fabricam um modelo proprio. o dono é o melhor afinador da cidade, dizem.
    achei lá um piano a ser restaurado da marca ´william squire´. mas nao tenho nenhuma referência e sou leiga pra essa avaliaçao. ouvi o som, que é bom, mas ele precisa ainda de um bom restauro.
    fico na duvida se espero mais , por exemplo, deixar meu nome numa lista de espera pra adquirir um alemao, pq desde criança ouço falar que sao os melhores, mais confiáveis, o que vc acha?
    abçs.

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  7. Daniela,
    tudo depende do que você espera de um piano. Concentre-se principalmente na maciez da mecânica, se a sua predileção é por pianos leves, os alemães não são tão indicados. Se, pelo contrário, a sua praia é bater forte, então pode ir firme neles.
    Até professoras de piano podem errar na compra, a minha, por exemplo, tem um pequeno piano de cauda em casa, que não suporta tocar por achá-lo muito pesado. Ela o comprou por razões de tamanho e estética, que são motivos menores para a música.

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  8. Tenho um Bechstein 1/4 de calda, trouxe o instrumento da Argentina. É um instrumento maravilhoso, muitos dos pianos de calda pequenos possuem deficiências no "corpo" dos som, devido ao próprio tamanho. Este piano é mágico tem timbre de 1/2 calda e uma máquina perfeita.

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    1. Piano de "cauda", só para relembrar...

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  9. Pablo, então você tem um tesouro! Parabéns.

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  10. Pessoal,
    Eu me apaixonei pelo piano quando criança,mas somente com 37 anos resolvi tornar meu sonho real.
    Primeiro com um PSR 500 , já vendí.
    Depois com um STAGE PIANO KURZWEIL SP2X,que apesar de ser eletrônico tem um som de piano maravilhoso.
    COmprei um sintetizador para tocar na igreja , roland JUNO STAGE , e finalmente u piano acústico FD126,que me atende muito bem.
    É um sonho para a vida inteira.
    Moro no interior , em uma localidade remota no Pará.
    Ainda terei um piano de cauda !
    Enquanto isso vou sonhando e estudando muito!

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  11. Cicero,
    é isto aí, jamais desista dos seus sonhos!

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  12. MOVIMENTO A VOLTA DOS PIANOS ESSENFELDER
    Curitiba PR Rua João Gualberto
    PESQUISEM, ACHEM INVESTIDORES

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  13. Cicero fico feliz por estar satisfeito com o piano que indiquei, aliais consultem sempre um afinador técno.

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  14. Alguém tem.informações sobre a marca Hollatz? Não encontro nada sobre esse piano e estou prestes a comprar um...

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    1. Não conheço Hollatz, será que não é J.Hoelzl? De qualquer forma esses nomes alemães nada significam, pois são todos pianos brasileiros fabricados nos primórdios do século XX que compartilhavam os mesmos componentes.

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  15. Anônimo18/12/13

    historia das indústrias brasileira de pianos, 11.06.1950 reportagem simplesmente "fantástica" vale a pena conferir - www.bn.br - hemeroteca digital brasileira edição 02721

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  16. Tenho um j hoelzl velho em casa não sei o que fazer com ele, o que vc me recomenda?

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    1. Se não serve para você, poderá servir para outros.Venda.

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    2. Venda barato para algum estudante de piano, pois os pianos são instrumentos maravilhosos que não merecem ficar emudecidos. Procure uma escola ou professor/a independente que poderão indicar compradores.

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