14 novembro, 2007

Gwenlolyn Mok à procura do Erard perfeito

Thad Carhart, autor do livro “A Loja de Pianos da Rive Gauche”, recentemente entrevistou Gwenlolyn Mok sobre o piano Erard que ela usou nas suas performances das obras de Ravel e sobre as suas impressões sobre a interpretação de Ravel.

A pianista Gwenlolyn tem inovado nas suas gravações por escolher um timbre alternativo à padronização sonora existente no mercado fonográfico, imposta pela super poderosa Steinway americana, graças à sua agressiva política de cedência gratuita dos seus pianos aos maiores pianistas do mundo. A pianista, ao se desvencilhar do caminho mais fácil, resgata o som original inspirador de Maurice Ravel em suas composições e esclarece algumas das suas intenções presentes nos manuscritos sob a forma de marcações e anotações.

Thad: A meu ver, quando você gravou a obra completa de Ravel, optou por um instrumento da época dele, não qualquer instrumento, mas um Erard. Então qual foi a qualidade particular de som que a convenceu, desde a primeira audição? Provavelmente essa idéia veio da experiência, não em decorrência de uma decisão intelectual, mas por algo que você ouviu, que a fez tomar a decisão. Estou correto?

Gwendolyn: Eu estava em meio aos meus estudos com Vlado Perlemuter, o grande intérprete de Ravel e provavelmente o seu último e conhecido pupilo. Estava muito curiosa sobre uma série de marcas no manuscrito. Vlado e eu nos debruçamos por dias em cerca de 20 compassos numa passagem do Alborada Del gracioso. Ele insistia em falar no “diminuindo”, dizia ele: “você deve ouvir o diminuindo e então fundí-lo com a próxima nota”. Estava difícil porque ele continuava insistindo nisso e demonstrando e eu não podia entendê-lo ou ouvir tais subtilidades no piano.

Thad: Que tipo de piano ele estava tocando àquela altura?

Gwendolyn: Ele tocava um Steinway e ele também possuía um Pleyel. Eu estava em Paris em 1994 e para me certificar foi à casa de Ravel em Montfort L’Amaury. Era a primeira vez que eu visitava a casa de Ravel, em fevereiro havia um frio absurdamente congelante, nevando e a casa não tinha calefação. Todavia lá estava o seu piano Erard, num pequeno e estreito recinto. O zelador sabia que Vlado havia me enviado e convidou-me para experimentar o piano. Eu estava absolutamente fria e enregelada e fazia muito frio naquela salinha, mas terminei criando coragem de tocá-lo. O piano havia sido recentemente restaurado pela Pianos Hanlet. Foi realmente inacreditável, porque tão logo comecei a tocar, o piano esclareceu muitas daquelas questões que Vlado estava tentando me fazer entender, especialmente no Alborada e em algumas outras peças onde ele queria certos coloridos e nuances sutis, que eu não estava preparada para executar. Penso que talvez esta tenha sido uma semente plantada na minha mente, que me direcionou posteriormente. Nada ficou definido até 1995, quando em setembro, estando em Amsterdã, numa folga de fim de semana, Adam Swainson um amigo meu da Inglaterra me forneceu alguns nomes de amigos em Amsterdã e disse que se eu estivesse interessada em Erards, deveria contatar Fritz Janmaat.
Sucedeu que eu estava em Keizersgraacht, onde a minha tia e tio têm uma propriedade. Enquanto caminhávamos, topamos literalmente com a loja dele. Mesmo que já houvesse planos, eu não tinha intenção imediata de procurar Fritz, ainda mais porque passeávamos despreocupados e desprevenidos. Fritz estava lá e, juntamente com o seu assistente francês, polia um belíssimo instrumento todo construído em pau-rosa. Eu falei: “Estou interessada em saber se você tem qualquer Erard que eu possa experimentar” e ele respondeu: “Estou justamente terminando este piano, você gostaria de tocá-lo?” Assim se deu a incrível coincidência.

Thad: Ele sabia que você era uma pianista profissional, ou pensou que era apenas alguma curiosa eventual?

Gwendolyn: Bem não, tanto quanto eu saiba ele pensou que eu era apenas alguém caminhando na rua. De qualquer maneira eu não falei muita coisa, por precaução, eu não queria ir muito fundo naquele negócio, porque se tocasse nele no Erard e não gostasse, então era melhor ser deselegante anonimamente. Simplesmente sentei e toquei Ondine e Alborada, porque elas estavam bem frescas na minha memória. O Fritz ficou muito entusiasmado e começou a esclarecer todas tradicionais questões. Seu piano era de 1868-1875, o que era bom para mim porque Ravel havia nascido em 1875 e o Erard de Ravel é de 1902-03.

PRÓXIMA PARTE...

Palavras-chave: pianista, timbre, ondine, alborada, Ravel, Erard

Referências
Fonte: http://www.gwendolynmok.com/interviews.html
Tradução: Isaias Malta

Imagem: Submarino

2 comentários:

  1. Legal seu blog.
    Gostaria de saber onde consigo um template igual a esse.

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  2. Meu template é um dos oferecidos no menu de customização do Blogspot, se chama Herbert, escrito por Jason Sutter. Fui fazendo algumas modificações até ficar com essa aparência. A razão de tê-lo escolhido é porque a medida dos quadros é proporcional, ou seja, o template se adapta a diferentes resoluções de tela, se precisar recorrer ao uso de botões de rolagem.

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