18 outubro, 2007

A história do piano Erard

A história de Erard se confunde com a história do próprio piano. Algumas grandes inovações introduzidas no instrumento foram graças ao engenho de Sébastian Erard, tais como o mecanismo de escape duplo e os agrafes.

Piano Erard

Duas histórias que se confundem: a do piano e a de Sébastien Erard. A primeira é muito grande e complexa, logicamente fascinante, mas excessiva para a minha pena, pois me considero apenas um afinador amante de história. Basta dizer que depois que Cristofori o inventou no século XVII, o piano sofreu modificações importantes e o Erard, que é o meu tema central está imbricada com essa formidável tradição, assim como todos os pianos modernos.


Sébastien Erard era alemão nascido em Estrassburgo, porém se mudou para Paris em 1768 aos 16 anos, onde trabalhou como aprendiz para um fabricante de clavicembalos. O menino era um prodígio e rapidamente largou o seu mestre e montou o seu próprio negócio. Os outros artesãos parisienses se sentiram tão ameaçados pelo grande talento do rapaz que iniciaram uma campanha para obrigá-lo a fechar o atelier depois que desenhou um “clavecin mécanique”, um instrumento com múltiplos registros e puas de pena e coro, que funcionava com um engenhoso dispositivo de pedais que jamais se havia empregado até então. Porém, apesar do boicote, o desenho era tão original que a duquesa de Villeroi decidiu patrocinar o jovem. Erard começou a fabricar pianofortes e os amigos aristocratas da duquesa começaram a comprá-los. Dessa vez provocou a ira dos importadores de pianos ingleses, até então hegemônicos no comércio de pianos. Tentaram assaltar a sua casa, porém quem impediu foi nada mais nada menos do que os soldados de Luis XVI. Estava tão famoso que o rei concedeu plena liberdade para comercializar.


Além do patrocínio real, Erard acabou se interessando por outras nações, e em meados da década de 80 viajou a Londres, onde montou outro atelier em “Great Marlborough Street”. Ali estava em 14 de julho de 1789 quando tomaram a Bastilha e três anos mais tarde, quando as execuções do regime de terror sacudiram a França. Estou seguro de que conhecem bem a história; milhares de burgueses fugiram do país ou foram condenados a morrer na guilhotina. Mas há um fato que muito pouca gente sabe: os que escaparam ou foram executados deixaram milhares de obras de arte, entre elas muitos instrumentos musicais. Sem entrar em opiniões sobre o gosto francês, vale a pena assinalar que, inclusive em meio à revolução, enquanto as cabeças dos eruditos e músicos eram cortadas, alguém decidiu que havia de se proteger a música.

Organizou-se uma Comissão Artística Temporal e Antonio Bartolomeo Bruni, um medíocre violinista de “la Comedie Italienne”, foi nomeado responsável pelo inventário. Durante quatorze meses se dedicou a recolher os instrumentos dos réus. No total chegou a reunir mais de trezentos, em que cada um tinha a sua própria e trágica história. Antoine Lavoiser, o grande químico, perdeu a vida e o seu piano de cauda Zimmerman francês; muitos outros pianos de linhagem parecida ainda são usados hoje em dia. Destes, sessenta e quatro são pianofortes e a maioria dos confiscados de procedência francesa são Erards: doze no total. Isto demonstra tanto o bom gosto de Bruni, como das vítimas, mas a macabra distinção foi o que estabeleceu com maior solidez a reputação de Sébastien como o maior fabricante de pianos. É significativo que nem ele e nem o seu irmão Jean Baptiste, que permaneceu em Paris, foram chamados a apresentar-se perante o Terror, apesar de terem sido sustentados pelo trono. Dessas doze peças, se conhece o paradeiro de onze e tenho afinado todas as que atualmente se encontram na Inglaterra.


As inovações de Erard revolucionaram a construção de pianos. O mecanismo de escape duplo, o “mécanisme a étrier”, em que os martelos estão unidos ao apoio individualmente, ao invés de estar em grupos de seis como os pianos Broadwood, os agrafes, as barras de reforço... tudo isso são elucubrações suas. Napoleão tocava um Erard. Sébastien presenteou Haydn com um piano de cauda e Beethoven também tocou um por sete anos.

Contrapontuando o esmagador poderio da Steinway como fornecedora de pianos para gravações, umas poucas se salvam, permitindo ao ouvinte a apreciação de outros timbres além daqueles tornados "verdade do piano" pelo monopólio construído pela fábrica americana.

por: Isaías Malta

Referências: 

Livro “O Afinador de Pianos” de Daniel Mason
Imagens dos Pianos Eread por Toccata
e Find Target Reference
Biografia de Sebastien Erard

4 comentários:

  1. Anônimo26/6/10

    boas,

    se eu disser que tenho um piano com o nº de série 57931 sabem-me identificar o ano de construção?

    obrigado, cumprimentos

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  2. Podem passar mais mil anos ,o piano sempre vai ser o rei dos instrumentos .tenho um zimermann legitimo ,uma verdadeira joia

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  3. O seu piano foi construído em 1883.

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  4. O meu piano tem o nº de série 34372. Em que ano teria sido construído?

    Obrigada

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