16 fevereiro, 2017

Taichiclismo: uma maneira Zen de andar de bicicleta!

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Algumas técnicas e princípios básicos do Tai Chi Chuan podem facilitar a vida de quem pedala. Esta postagem trata do relato de uma experiência pessoal, não é um artigo científico, mas apresenta sugestões que poderão ser experimentadas por qualquer pessoa.

Em primeiro lugar o Tai Chi tem tudo a ver com o ciclismo, pois significa “Supremo Equilíbrio” e, qualquer um que tenha aprendido a andar de bicicleta sabe que tal aprendizagem é, essencialmente, aprender a equilibrar-se.

Mais além do equilíbrio está a energia necessária para pedalar, especialmente, para quem enfrenta relevos desafiadores com muitos aclives.

Já pratico Tai Chi Chuan desde 2009 e tenho experimentado muitos dos benefícios atribuídos a ele, mas o Taichiclismo foi uma descoberta casual, que incrementou muito meu desempenho. Ainda estou em fase de aperfeiçoamento e notando melhorias, mas como dizem os chineses a melhora no kung fu depende da prática e tem uma parte de descobertas individuais, assim vale a pena divulgar desde já.

Como destaquei, a descoberta foi casual, eu estava numa subida e já cansada, isso significava que em breve teria que parar e caminhar.

Assim, resolvi deixar na marcha mais leve (1 para 1) e ir pedalando sem fazer qualquer força, simplesmente deixar as pernas descerem sobre os pedais com o próprio peso e ir até onde fosse possível. Quando me dei conta havia chegado ao topo.

Desde então, meu modus operandi é sempre esse, não fazer força ao pedalar, relaxar completamente deixando apenas as pernas descerem com todo seu peso sobre os pedais. Se está difícil relaxar significa que a marcha ou está muito leve ou muito pesada. Ou seja, se nos concentramos em relaxar e fazer o menor esforço possível também vamos aprendendo a usar a melhor marcha para cada relevo.

Também percebi que temos que manter os ombros relaxados, puxando as escápulas para baixo. Vejo muitos ciclistas com os ombros tensos e levantados. Esta tensão é puro desperdício de energia, pois estamos contraindo músculo que não afetam o movimento da bicicleta e, cuja contração rouba oxigênio dos músculos que realmente importam.

A hemoglobina é uma proteína sábia, ela descarrega mais oxigênio para os órgãos que estiverem com o metabolismo mais elevado e menos oxigênio para os que estiverem menos ativos. Se mantivermos os ombros relaxados, estes músculos receberão menos oxigênio, enquanto a musculatura das pernas receberá mais, com isso, tais músculos não precisarão recorrer tanto à fermentação e terão menos fadiga.

Durante a pedalada, a  tendência natural é contrair e fazer força, por isso temos que ficar atentos para relaxar. Para entender melhor é preciso conhecer um dos pontos importantes do Tai Chi:

Usar a mente e não a força:
Isto significa que na prática do Tai Chi Chuan, todo o corpo deve estar relaxado. As pessoas podem se perguntar como é possível se aumentar a potência ou a resistência sem exercer força?

De acordo com a medicina tradicional chinesa, no corpo humano existe um sistema de canais meridianos que ligam as vísceras e órgãos, incluindo os músculos e ossos, fazendo do corpo um todo integrado.

Se os meridianos não estiverem bloqueados a energia vital percorre o corpo inteiro, mas se o meridiano for preenchido com força bruta, a energia vital não será capaz de circular e, consequentemente, o corpo não vai se mover facilmente ou suavemente.

Portanto é preciso usar a mente e ordenar que os músculos relaxem para energia circular, desenvolvendo uma força interna genuína. Isso os Mestres do Tai Chi chamam de “flexível na aparência, mas poderoso na essência” ou o aço recoberto de algodão.

Este é o princípio básico a ser usado no Taichiclismo. Ao longo da pedalada temos que ir relaxando à medida que percebemos que estamos contraindo. Por vezes, quando percebo que a tensão é crescente e não consigo mais relaxar, tenho a necessidade de dar uma parada para tomar um gole de água e acalmar a respiração e os batimentos cardíacos. Feito isso, consigo retomar o estado de relaxamento para seguir a diante.

Uma bicicleta é um sistema de alavancas, que se mantido em movimento faz com que ela avance, fazer muita força não muda isso, pelo contrário, vai manter contraídos alguns músculos inúteis ao movimento e desperdiçar energia. Assim, relaxe e pedale, não contraia nenhum músculo desnecessariamente, ou seja, não contraia ombros, nem faça cara feia. Respire apenas pelo nariz e busque um ritmo suave de respiração, se puder, sorria.

Como última dica, sugiro que pratiquem o Tai Chi para ir aperfeiçoando o Taichiclismo (em Bento Gonçalves - RS tem uma turma com aulas na loja Bariloche, todas as terças e quintas das 12:00 às 13:00 h).

Lembre-se que para o Tai Chi Chuan: “Mover-se é mudar da contração para o relaxamento, do duro para o suave, do externo para o interno. ”

Bom pedal!

13 fevereiro, 2017

O ciclismo possível, mesmo em relevos desafiadores de serra.

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Como tornar-se uma ciclista na serra gaúcha?

Esta parecia ser uma questão sem resposta e ainda é para muitas pessoas. Embora o número de ciclistas em Bento Gonçalves esteja aumentando, este esporte ainda é visto como uma atividade para os jovens e fortes.
Entre dois amores...

Contudo, ao pedalar vai se adquirindo um condicionamento cardiovascular fantástico, que não tem comparação com outras modalidades de exercícios, tais como: caminhadas, pilates, academia, artes marciais, etc.
Em primeiro plano a Foffis, que tornou o impossível possível!

Não estou dizendo que estas modalidades não deem um bom condicionamento físico, mas, dou como exemplo a experiência do meu marido, que praticava caminhadas vigorosas em relevo com fortes subidas, semanalmente, porém, ao iniciar com a bicicleta sentiu como se não tivesse condicionamento físico nenhum, pois nas subidas fortes precisava descer e empurrar a bicicleta.

Contudo, este é um exemplo de pessoa forte, que com menos de um mês já tinha pedalado mais de duzentos quilômetros e já precisou trocar a bike por uma mais forte, após o que, em sete meses, já havia pedalado perto de 3.000 km. Ou seja, ao pedalar se adquire ótimo condicionamento, mas...

Quem não tem forças nem para começar?

Responder a esta questão é o objetivo desta postagem. Ou seja, mostrar uma alternativa possível para as pessoas “fracas”, a partir da minha experiência pessoal.

Sou portadora de três doenças genéticas que diminuem a capacidade física e cardiorrespiratória necessárias ao ciclismo, e sempre pensei que atividades aeróbicas vigorosas seriam impossíveis pra mim. Ou seja, tenho asma, que afeta diretamente a capacidade pulmonar de forma que na infância e adolescência nunca pude participar das aulas de educação física na escola porque essencialmente envolviam esportes como vôlei, basquete ou futebol, além de atletismo, que desencadeavam crises terríveis.

Depois de adulta descobri que sou portadora de Talassemia minor, que é uma espécie de anemia leve, incurável. Esta doença diminui a força muscular, de maneira semelhante ao que acomete os jogadores de futebol quando vão jogar em grandes altitudes como, La Paz na Bolívia.
Além disso, descobri em 2009, que tenho um regurgitamento mitral mínimo, que gera uma insuficiência telessistólica mitral mínima. A pergunta básica que meu cardiologista faz nos exames de revisão é se estou com dificuldades de respirar.

Apesar disso, desde outubro de 2016 a fevereiro de 2017 já havia pedalado cerca de 1000 km no relevo desafiador de Bento Gonçalves, na serra gaúcha. Esta postagem revela então que é possível vencer o impossível.

Com a Dolly, que percorreu cerca de 1000 Km
O que tornou o ciclismo possível, pra mim, foi ter começado a pedalar com uma “pedelec” que é uma bicicleta com pedal assistido (PAS). a minha foi batizada de Foffis. Ou seja, a Foffis é uma bicicleta com um kit elétrico, cujo motor de 350 W somente funciona se pedalarmos. Ao instalar o kit, não instalei o sistema de acelerador, que poderia fazer a bicicleta andar sem ser pedalada, pois não era este o objetivo.

Em vez de acelerador, meu marido instalou um interruptor no guidão, que me permite desligar o motor e somente pedalar. Assim, nas subidas eu acionava o motor, mas no plano e descidas eu usava apenas a minha força.

Aos poucos fui percebendo que conseguia pedalar também nos aclives mais leves. Além disso, fui aos poucos usando marchas mais pesadas ao subir com a assistência do motor.

Assim, após estar usando e curtindo a Foffis por dois meses, também comprei uma bicicleta sem motor a Dolly, uma Specialized, modelo Jynx e comecei a intercalar o uso. Nos passeios de final de semana usava a Dolly, pois sem compromisso de cumprir metas e horários eu saía tranquila com a perspectiva de encerrar a pedalada no momento em que me sentisse muito cansada.

No começo, após as pedaladas com a Dolly, em função da fadiga muscular, eu somente podia sair por vários dias com a Foffis, que passou a funcionar como uma espécie de fisioterapia, pois me permitia pedalar sem esforço e com isso meus músculos se desintoxicavam, ao mesmo tempo em continuava adquirindo condicionamento físico.

Além da Foffis um elemento essencial para os bons resultado tem sido o uso de técnicas do Tai Chi na pedalada. Eu chamo isto de Taichiclismo e será objeto da próxima postagem sobre o tema.

Uma nota triste é que no momento a Foffis está no estaleiro, porque a bateria de lítio pifou, já que, de fato não atendia a especificações anunciadas pela propaganda do Kit, ou seja, não entregava os 10 A apenas 8,8 A e as baterias não eram Samsung, como prometido. Eu pensei em vendê-la, mas para usar como meio de transporte para o trabalho ela é ainda a melhor opção, pois além de mais rápida, não é preciso suar tanto a camiseta.
Por ora no estaleiro (sniff)

Apesar da falha da bateria, ter instalado um kit numa bicilceta, em vez de comprar uma bicilceta elétrica, ainda está sendo vantajoso, não apenas, financieramente, como tecnologicamente, pois as bicicletas prontas usam modelos urbanos e pesada de aço, em geral co aro 20, de forma que o resultado final é uma bicileta elétrica que pesa de 35 a mais de 50 kg.


Já a Foffis é uma bicicleta MTB de alunmínio, com 21 marchas, que pesa 20 kg e mesmo com a troca de bateria ainda custará menos do que comprar uma bicleta elétrica com motor de 350 W pronta que não sai por menos de R$ 4.700,00.

Contudo, ela ainda não é ideal, pois o motor é instalado na roda dianteira. Meu sonho é que seja produzido no Brasil um kit para instalar no pedivela (movimento central), que pode utilizar um motor de apenas 250 W e render tanto quanto um de 350 W instalado na roda. As grandes marcas somente usam este tipo de motor, mas suas bicilcetas prontas tem preços que variam de R$ 20.000,00 a R$ 40.000,00.

Assim, um kit para o movimento central pode ter menos potência e, com uma bateria menor, ser mais leve e produzir melhores resultados, uma vez que consegue aproveitar melhor a força da pedalada do ciclista.

Quanto  Dolly, ela já foi vendida...

Mas isto é uma nota feliz...

Ela foi usada como entrada para a compra da Nahlin, uma Specialized modelo Épic, com a qual recém estou me ambientando, mas já posso dizer que é furiosa!
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