31 março, 2017

Quem tem bike vai a Roma [nova]

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A trupe reunida: em primeiro plano Renata e mais ao fundo da esquerda para direita: Isaias, Rafa e Gladis.

Um passeio ciclístico muito legal na Serra Gaúcha é o circuito de Bento Gonçalves a Nova Roma do Sul, passando pelos Caminhos de Pedra.

Nova Roma do Sul fica numa altitude de 750 m, mas como está cercada pelo Rio das Antas e Rio da Prata, não é possível chegar nesta cidade sem primeiro baixar. 

Ou seja, quem vai pelos Caminhos de Pedra, primeiro tem que subir até o cruzamento, em forma de rótula, que leva à Vila Jansen, que é um distrito de Farroupilha. Na última etapa deste trecho tem “as cinco corcovas” , que são uma sequência de cinco subidas de tirar o fôlego, mas o visual destes caminhos é muito bonito e ele é percorrido por vários ciclistas, aos finais de semana.

 Da rótula até a Ponte de Ferro, passando por Vila Jansen, há um percurso que envolve uma longa descida, com um quase nadinha de subidas. Esta descida é bastante suave e é preciso pedalar em alguns trechos. Costumamos chamar este trajeto de subida mágica, na volta, porque da ponte até a Vila não é difícil pedalar, com exceção de um trecho de 1,5 km.

As paisagens neste caminho são deslumbrantes com quedas de água por todo o morro que fica á esquerda da rodovia, para quem está descendo.
Uma das cascatas entre vila Jansen e a Ponte de Ferro

A Ponte de Ferro é um atrativo à parte, construída no governo de Getúlio Vargas, foi inaugurada por tiros de fuzil e pela passagem dos caminhões que se dirigiram a São Paulo no dia 03 de outubro de 1930, para fazer a Revolução (Município de Nova Roma do Sul).

Chegando na ponte!

Na ponte, algumas vezes há atividades de rapel, tirolesa ou pêndulo.
Da ponte até Nova Roma são 16 km de uma subida, relativamente fácil de fazer, com um visual ainda mais fantástico.
A Ponte de Ferro é uma parada obrigatória para curtir o visual.

Eu e o Isaías Já fizemos este caminho três vezes, nas duas últimas em companhia da Renata e do Rafa. De maneira bem tranquila, parando para lanchinhos e descanso, levamos 4 horas e meia para chegar saindo do Barracão. Ciclistas mais antigos e/ou mais atléticos fazem em menor tempo, pois este caminho é todo asfaltado.

A primeira vez que fomos a Nova Roma, seguimos pela trilha do cachoeirão e voltamos pela estrada asfaltada, eu quase tive um troço, fiquei exaurida e chegamos de volta aos Caminhos de Pedra, anoitecendo. Por coincidência a Renata e o Rafa haviam feito o mesmo trajeto mais cedo no mesmo dia, com igual sensação de fadiga.

Imaginei que nunca mais iria para aquelas bandas, mas ao fazer a rota de ida e volta pelo asfalto foi muito mais tranquilo e deu uma sensação de poder. Tanto que já estamos planejando nova ida neste sábado, fazendo o percurso inverso ao da primeira vez, ou seja, indo pelo asfalto e voltando pela trilha do Cachoeirão que chega na Ponte de Ferro, pelo lado oposto do mesmo morro.
A trupe no paradouro de Nova Roma para um merecido descanso e lanche, a fim de se preparar para a volta.

A volta para casa é mais desafiadora e demorada, porque entre a ponte e Vila Jansen tem dois trecho de subida, mais difíceis, em que eu preciso usar a coroa 1, embora vários outros ciclistas costumam me ultrapassar fácil nestes locais e o Isaías não saia da coroa 2. Na última vez que eu estava fazendo a pior parte um ciclista que me ultrapassou falou para encorajar: “Vamos lá, vamos lá que agora falta pouco”. 

Outros trechos da subida são “mágicos” muitos fáceis de fazer com velocidade maior e pouco esforço.
Esta subida termina em um cruzamento que o pessoal chama de Trevo dos Eucaliptos o que, para mim que sou Bióloga é uma heresia, já que no local só há Plátanos e nenhum Eucalipto!

Os Eucaliptos ficam distantes do trevo no meio do morro, enfim vá entender!

Entre o trevo e Vila Jansen a subida também é mágica, mas saindo da Vila até a rótula têm 1,8 km de subida até a fábrica da Golden sucos que é penoso de vencer. Depois deste ponto é uma alegria, logo se chega aos Caminhos de Pedra e têm as cinco corcovas para descer.

Somente próximo ao Barracão é que tem duas subidas difíceis: a subida do Tomate e a de São Miguel, no caso deste trajeto, é preciso lembrar que estas subidas são enfrentadas após mais de 7 horas de pedal, mesmo assim, embora nas primeiras vezes que fui até a ponte de ferro eu tenha subido caminhando, dá para fazer pedalando. 

O ciclismo na região de Bento Gonçalves é do tipo bipolar, a gente sofre um pouco em algumas subidas e se diverte muito nas descidas. Este percurso tem de 100 a 102 km, dependendo do quanto se entre em Nova Roma e pode ser considerado suave em relação às outras opções da região.

As imagens desta postagem foram todas tiradas pela Renata e Rafa, que são uma ótima companhia de pedal.

16 fevereiro, 2017

Taichiclismo: uma maneira Zen de andar de bicicleta!

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Algumas técnicas e princípios básicos do Tai Chi Chuan podem facilitar a vida de quem pedala. Esta postagem trata do relato de uma experiência pessoal, não é um artigo científico, mas apresenta sugestões que poderão ser experimentadas por qualquer pessoa.

Em primeiro lugar o Tai Chi tem tudo a ver com o ciclismo, pois significa “Supremo Equilíbrio” e, qualquer um que tenha aprendido a andar de bicicleta sabe que tal aprendizagem é, essencialmente, aprender a equilibrar-se.

Mais além do equilíbrio está a energia necessária para pedalar, especialmente, para quem enfrenta relevos desafiadores com muitos aclives.

Já pratico Tai Chi Chuan desde 2009 e tenho experimentado muitos dos benefícios atribuídos a ele, mas o Taichiclismo foi uma descoberta casual, que incrementou muito meu desempenho. Ainda estou em fase de aperfeiçoamento e notando melhorias, mas como dizem os chineses a melhora no kung fu depende da prática e tem uma parte de descobertas individuais, assim vale a pena divulgar desde já.

Como destaquei, a descoberta foi casual, eu estava numa subida e já cansada, isso significava que em breve teria que parar e caminhar.

Assim, resolvi deixar na marcha mais leve (1 para 1) e ir pedalando sem fazer qualquer força, simplesmente deixar as pernas descerem sobre os pedais com o próprio peso e ir até onde fosse possível. Quando me dei conta havia chegado ao topo.

Desde então, meu modus operandi é sempre esse, não fazer força ao pedalar, relaxar completamente deixando apenas as pernas descerem com todo seu peso sobre os pedais. Se está difícil relaxar significa que a marcha ou está muito leve ou muito pesada. Ou seja, se nos concentramos em relaxar e fazer o menor esforço possível também vamos aprendendo a usar a melhor marcha para cada relevo.

Também percebi que temos que manter os ombros relaxados, puxando as escápulas para baixo. Vejo muitos ciclistas com os ombros tensos e levantados. Esta tensão é puro desperdício de energia, pois estamos contraindo músculo que não afetam o movimento da bicicleta e, cuja contração rouba oxigênio dos músculos que realmente importam.

A hemoglobina é uma proteína sábia, ela descarrega mais oxigênio para os órgãos que estiverem com o metabolismo mais elevado e menos oxigênio para os que estiverem menos ativos. Se mantivermos os ombros relaxados, estes músculos receberão menos oxigênio, enquanto a musculatura das pernas receberá mais, com isso, tais músculos não precisarão recorrer tanto à fermentação e terão menos fadiga.

Durante a pedalada, a  tendência natural é contrair e fazer força, por isso temos que ficar atentos para relaxar. Para entender melhor é preciso conhecer um dos pontos importantes do Tai Chi:

Usar a mente e não a força:
Isto significa que na prática do Tai Chi Chuan, todo o corpo deve estar relaxado. As pessoas podem se perguntar como é possível se aumentar a potência ou a resistência sem exercer força?

De acordo com a medicina tradicional chinesa, no corpo humano existe um sistema de canais meridianos que ligam as vísceras e órgãos, incluindo os músculos e ossos, fazendo do corpo um todo integrado.

Se os meridianos não estiverem bloqueados a energia vital percorre o corpo inteiro, mas se o meridiano for preenchido com força bruta, a energia vital não será capaz de circular e, consequentemente, o corpo não vai se mover facilmente ou suavemente.

Portanto é preciso usar a mente e ordenar que os músculos relaxem para energia circular, desenvolvendo uma força interna genuína. Isso os Mestres do Tai Chi chamam de “flexível na aparência, mas poderoso na essência” ou o aço recoberto de algodão.

Este é o princípio básico a ser usado no Taichiclismo. Ao longo da pedalada temos que ir relaxando à medida que percebemos que estamos contraindo. Por vezes, quando percebo que a tensão é crescente e não consigo mais relaxar, tenho a necessidade de dar uma parada para tomar um gole de água e acalmar a respiração e os batimentos cardíacos. Feito isso, consigo retomar o estado de relaxamento para seguir a diante.

Uma bicicleta é um sistema de alavancas, que se mantido em movimento faz com que ela avance, fazer muita força não muda isso, pelo contrário, vai manter contraídos alguns músculos inúteis ao movimento e desperdiçar energia. Assim, relaxe e pedale, não contraia nenhum músculo desnecessariamente, ou seja, não contraia ombros, nem faça cara feia. Respire apenas pelo nariz e busque um ritmo suave de respiração, se puder, sorria.

Como última dica, sugiro que pratiquem o Tai Chi para ir aperfeiçoando o Taichiclismo (em Bento Gonçalves - RS tem uma turma com aulas na loja Bariloche, todas as terças e quintas das 12:00 às 13:00 h).

Lembre-se que para o Tai Chi Chuan: “Mover-se é mudar da contração para o relaxamento, do duro para o suave, do externo para o interno. ”

Bom pedal!

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