20 Janeiro, 2012

A vida possível num ambiente humanamente impossível

Visão geral do arquipélago por blog de Tiago Maia.

Continuando...

Assim como ocorreu com Darwin é fascinante conhecer a rica fauna que habita o arquipélago de São Pedro e São Paulo, pois lá não há uma única árvore e nenhuma gota de água potável natural.

Como é possível então fazer pesquisas neste local? Logicamente, a estação de pesquisa possui toda a infraestrutura para acomodar seres humanos.

Como é a estação de pesquisa do arquipélago de São Pedro e são Paulo? É uma edificação de madeira de 45 metros quadrados, onde equipes de quatro cientistas e pesquisadores revezam-se a cada 15 dias, com o apoio da Marinha do Brasil. As instalações compõem-se de uma cozinha, uma sala de refeições, centro de comunicações, quarto para quatro pessoas, quarto de banho e varanda. 

O telhado conta com painéis fotovoltaicos para geração de energia elétrica, que alimenta o dessalinizador e demais equipamentos elétricos. À pequena distância, ergue-se um abrigo para os geradores e baterias, um equipamento de dessalinização da água do mar e outro abrigo para cilindros de oxigênio e de gás. Uma passarela liga a base ao ponto de embarque, servido por um turco. Entre os equipamentos científicos da base destaca-se um marégrafo (Wikipedia).
Os painéis solares devem ser limpos, no máximo, de 2 em 2 dias, pois as aves os sujam constantemente. Nesta foto vê-se a estação recebendo manutenção da Marinha Brasileira.

A estação é construída sobre sapatas especiais que resistem aos tremores de terra, já que o arquipélago está em local sujeito a terremotos. 

Apesar de tudo, este é um local que fascina qualquer naturalista. Tanto que mesmo sem os confortos de uma estação de pesquisas, Darwin, procurou passar nesta terra "firme" o maior tempo possível se maravilhando e descrevendo a vida neste ambiente inóspito.


Viuvinha com filhote por Pbase

Suas águas são habitadas por tubarões baleias e martelos, moradores permanentes da região e das lagostas, que se contam aos milhares. Grandes pelágicos, como os tubarões, também freqüentam o local, onde costumam se concentrar para armazenar energia e continuar suas longas migrações (Wikipedia).

(Darwin): "Nos rochedos de São Paulo somente encontramos duas qualidades de aves – uma espécie de pelicano e de gaivota, ambos tão mansos e estúpidos, talvez em virtude de não se acharem acostumados a ver visitantes, que poderia ter abatido quantos quisesse com meu martelo geológico. "

A espécie de pelicano trata-se do atobá-marron (Sula leucogaster), que ocupa metade do terreno da ilha principal, a Belmonte, onde a estação científica brasileira e o farol estão localizados. Já a espécie de gaivota é a viuvinha (Anous stolidus).

Apesar da observação de Darwin, cabe o registro de que estas duas espécies de aves não são nada amigáveis. As viuvinhas realizam ataques aéreos quando sentem seu território invadido, enquanto os atobás atacam as pernas daqueles que atravessam seu "corredor polonês de atobás" (abaixo).
Blog de Tiago Maia

10 Janeiro, 2012

As mais remotas terras brasileiras aos olhos de Darwin


Estação de pesquisa na ilha Belmonte por Última Fronteira.

Atualmente, a tecnologia possibilita uma estadia "agradável" neste inóspito arquipélago aos pesquisadores com projetos aprovados, que sejam ótimos nadadores e tenham sido aprovados num exigente curso preparatório oferecido pela marinha brasileira .

Em 11 de junho de 1996 a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) aprovou o Programa Arquipélago de São Pedro e São Paulo (Proarquipélago), com o objetivo de conduzir programas de pesquisas cientifícas nas seguintes áreas: geologia e geofísica, biologia, recursos pesqueiros, oceanografia, meteorologia e sismografia. Desse modo, o ASPSP pôde ser incluído como uma região privilegiada para o desenvolvimento de pesquisas em diversos ramos da ciência. 
A presença constante de pesquisadorese garante a soberania nacional nestas distantes terras. Esta soberania é fundamental para que o Brasil mantenha uma maior plataforma marítima, ampliando sua área de pesca.

Plataforma continental brasileira.
Em 1832, Darwin, ao contrário do restante tripulação do Beagle, passava o maior tempo possível na seca ilha de Belmonte examinando e descrevendo estes fascinantes rochedos, aos quais ele referiu em seu Diário apenas como: Rochedos de São Paulo...

(Darwin)"Rochedos de São Paulo – Ao atravessarmos o Atlântico, na manhã de 16 de fevereiro aproamos para o vento, parando a pequena distância dos rochedos de São Paulo. Este agrupamento de rochedos se acha situado entre a latitude 0º 58’ norte e longitude 29º 15’ oeste. A distância que os separa do continente americano é de quinhentas e quarenta milhas, e da ilha Fernando de Noronha, trezentas e cinquenta milhas. O ponto mais elevado alcança somente a cerca de quinze metros sobre o nível do mar, e todo o perímetro não chega a mil e duzentos metros. Esta pequena ponta se ergue abruptamente das profundezas do oceano."

02 Janeiro, 2012

Cuidado: a bactéria da acne pode causar muitos problemas além da estética!


Por Chacha.com 
Segundo Peter Lambert, professor de microbiologia na Universidade de Aston, em Birmingham, Inglaterra, a bactéria Propionibacterium acnes  que vive sobre a pele e contribui para a acne, pode causar infecções após cirurgia, incluindo infecções no cérebro e, ainda, pode estimular algumas células a se tornarem cancerígenas.

No entanto, estudos que relacionam esta bactéria ao câncer são ainda emergentes e mais pesquisas são necessários para confirmar esta suspeita.
Cameron Diaz com acne
As bactérias Propionibacterium acnes vivem nos folículos pilosos, quando esses poros ficam bloqueados, elas podem se multiplicar e produzir a inflamação característica da acne. 

Porém, além disso, elas também podem causar inflamação no interior dos nossos tecidos.


Recentemente, pesquisadores perceberam que existem diferentes síndromes clínicas associadas com infecções por esta bactéria.

Por exemplo, Christopher Vinnard, pesquisador de doenças infecciosas da Universidade de Medicina da Pensilvânia relatou o caso de aparecimento de abscesso cerebral em paciente que havia realizado uma neurocirurgia 10 anos antes. 

As biópsias mostraram que a bactéria da acne estava crescendo nestes tecidos. Embora seja difícil dizer se ela própria causou o abscesso, o fato é que a condição do paciente melhorou quando ele tomou antibióticos contra a Propionibacterium acnes.

Propionibacterium acnes

Uma série de estudos também mostrou que a Propionibacterium acnes cresce sobre próteses implantadas, incluindo as de quadril, joelho e cotovelo. Nestes casos, supõe-se que ela tenha invadido o interior do corpo utilizando o próprio corte cirúrgico (mais uma razão para evitarmos cirurgias desnecessárias!).

Como se isto não bastasse, vários estudos recentes sugerem que a bactéria da acne pode aumentar o risco de câncer de próstata, pois ela foi encontrada crescendo no interior das células da próstata, levando à inflamação o que, por sua vez, pode estimular estas células a se tornarem cancerosas.

Outro estudo mostrou que as bactérias cresceram em 58 de 71 amostras de tecido de câncer de próstata, mas em nenhuma das 20 amostras de tecido saudável. Segundo os pesquisadores, a exposição ao P.acnes por longos períodos alterou a forma como as células se dividiam. 

No entanto, muito mais pesquisas e dados são necessários para confirmar a ligação direta deste organismo com o câncer.

Segundo Christopher Vinnard, a boa notícia é que se for confirmado que a P.acnes contribui para infecções ou até mesmo câncer, o tratamento com antibióticos específicos pode ajudar a reduzir a gravidade desses problemas.

Nota: Para pessoas que já tiveram câncer do tipo basocelular, dermatologistas indicam o uso de “adapaleno” que é um medicamento destinado ao tratamento cutâneo da acne, pois empiricamente observa-se que ele protege contra o aparecimento deste tipo de câncer.

Por Gladis Franck da Cunha

Fontes:
1- Rachael Rettner. Acne Bacteria May Infect the Brain and Body [LiveScience],  14 de Janeiro de 2011. 
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